Home Banner Home Um Mito de Sucesso

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P1270557Para os velejadores pernambucanos, até o ano de 1984, era considerado um mito se algum veleiro pudesse chegar a “Esmeralda do Atlântico”. Os que tentaram, quebraram ou simplesmente se perderam retornando ao continente.

Até que o experiente velejador, Maurício Castro, quis desmistificar este enigma, formando uma tripulação com quatro amigos – o marinheiro Abdias, Luis Torreão, Raimundo e Leonardo Veras – seguiram com a missão de quebrar tal paradigma. A tripulação levou o nome de “Pé na cova”, apelido dado pelo fato de, na época exceto Leonardo, serem da “maior idade”. E a pergunta foi no ar: será que conseguiriam?

Bons ventos os acompanharam e eles acertaram o caminho das pedras… Foi um sucesso! Desbravaram e atestaram a viabilidade de chegar no arquipélago.

Satisfeito com a expedição, no ano seguinte, Maurício organizou o primeiro cruzeiro em frotilha, com cinco barcos, conhecido como Cruzfafeno (Cruzeiro e Frotilha para Fernando de Noronha). Mais uma vez, as escotilhas para o paraíso foram abertas. E, em 1986, nascia a primeira regata internacional oceânica e ecológica do Brasil, idealizada pelo próprio Maurício. Oceânica, por não ser uma regata de litoral. E ecológica, porque qualquer infração contra a natureza, a pessoa seria banida das edições seguintes.

Inicialmente, aspartidas eram realizadas na Praia de Boa Viagem. Mas, por medidas de
segurança e para
melhor visibilidade dos patrocinadores, passou a ser realizada no Marco Zero (Porto do Recife). Na primeira edição, 22 veleiros chegaram a ancorar no Porto de Santo Antônio. Dentre eles, dois veleiros estrangeiros (Kalahari e Galant). A partir daí, este número só fez crescer.

Houve dois anos em que a REFENO não foi realizada. Em um deles, por conta da queda de um avião Bandeirante, 15 dias antes do evento. Caso estes cancelamentos não tivessem ocorridos, o evento já estaria na sua 29ª edição e não na 27ª, que ocorreu este ano.

Os veleiros são divididos em variadas classes: Catamarãs, Trimarães, RGSA, RGSB, RGS geral, ORC, MOCRA, Aberta, Aço, Bico de Proa e Turismo. A premiação é feita por categorias, e o primeiro a cruzar a linha de chegada ganha a Fita Azul, que esse ano ficou com o veleiro da categoria ORC, Camiranga. A título de curiosidade, existem diversas formas de premiação, como: tripulante mais novo, tripulante mais velho e o chamado “barco a velho”, onde é feita com a soma da idade de todos os tripulantes da embarcação. Outro dado interessante, é que só existe um velejador que participou de todas as edições da REFENO, o experiente capitão amador Emilio Russell, que nesta última edição foi o primeiro colocado de sua classe e o quarto colocado geral, comandando o Voyager Atlantis Divers.

IMG_3805A regata conta com o apoio da Administração da Ilha e da Marinha do Brasil que, para contribuir com a segurança, disponibiliza pelo menos um navio que acompanha toda a regata. E o Cabanga Iate Clube de Pernambuco disponibiliza duas lanchas para um eventual reboque de barcos avariados.

MarinhaSegundo comentários de experientes navegadores, a regata já chegou a ancorar no Porto de Noronha 120 barcos. E nesta última edição, pouco mais de 30. O motivo é, além da crise econômica, exigências da Marinha, que não flexibiliza itens de segurança (o que é correto) e as restrições e taxas cobrados aos participantes pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os velejadores concordaram, mas com isso haverá uma redução de barcos inscritos, fazendo com que permaneçam apenas os comandantes de maior poder.

CONOGRAMA

  1. Camiranga —————————————————- 20:26:37
  2. Patorozú – CT Viagens ————————————— 29:00:25
  3. Mussulo III – Angola Cables ——————————– 31:15:02
  4. Voyager Atlantis Divers ————————————- 31:55:32

Por:Manuella Asfora Russell Higashikawauchi