A busca pela boa forma é um processo gradual que exige muita dedicação. E muito mais para pessoas que possuem algum tipo de deficiência. Todavia, com o suporte de especialistas unidos na busca da acessibilidade, é possível tornar o ato de se exercitar um direito de todos, até para quem é de “vidro”.

ELA DESAFIOU FALA DR. DILAMAR PINTO

Osteogénese imperfeita, Osteogenesis Imperfecta, doença de Lobstein ou doença de Ekman-Lobstein é uma patologia óssea de origem genética, onde os portadores nascem sem o colágeno Tipo 1 ou sem sintetização do mesmo.

O colágeno é um componente que permite a elasticidade óssea, e sua falta torna o osso anormalmente quebradiços, muitas vezes causando fraturas no momento do parto, e algumas incompatíveis com a vida.

ORTOPEDISTA, ESPECIALISTA EM JOELHO,
OMBRO, MEDICINA ESPORTIVA E ARTROSCOPIA
Atendimento: R: Francisco Alves, 326
Ilha do Leite – Recife – PE
3414-9100 / 2414-9110/ 3414-9111
Email: dilamarpinto@yahoo.com.br
Instagram: @drdilamar

Os pacientes que evoluem com vida normal, sofrem diversas fraturas, as deformidades nas consolidações levam a deformidades, diminui a estatura e alterações angulares nos membros. Porém, as capacidades mental e motora dessas pessoas não são alteradas.

A falta de colágeno afeta também todas as estruturas do corpo que utilizam essa proteína, por exemplo, a pele e os vasos sanguíneos.

Os ossos se quebram com tanta facilidade, que essa doença foi apelidada de Doença Dos Ossos de Vidro, podendo existir fraturas até espontaneamente.

Doença rara que acomete cerca de 1 em cada 25.000 nascidos, tem uma classificação para diferenciar a gravidade das alterações:

  • Tipo I: Pacientes visualmente normais, discretas fraturas e deformação nos ossos longos.
  • Tipo II: Paciente que não resistem à doença e falecem logo após o nascimento. É o tipo mais grave da doença.
  • Tipo III: Pacientes com um grau variando de moderado a grave, caracterizado pelo formato do rosto, baixa estatura e deformidade nos ossos longos.
  • Tipo IV: Pacientes que apresentam gravidade e características heterogêneas da doença.

Após nossa avaliação, Gustavo se enquadra no tipo III, mas se encontra sem fraturas há anos, altamente adaptado às deformidades ósseas e, com excelente qualidade de vida. Fazendo atividade física direcionada para suas características, o tornara ativo e participante da vida esportiva diariamente, favorecendo a tonicidade da musculatura e mobilidade das articulações.

Gustavo hoje se encontra bem, do ponto de vista ortopédico, com discretas adaptações das suas atividades físicas, mas com locomoção e acessibilidade dentro da normalidade para seu quadro, visto que o desafio com certeza será concluído com êxito, podendo com sua continuidade ter uma excelente melhora em sua qualidade de vida.

Segundo dados coletados em 2016 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência física, intelectual, motora ou sensorial. Um número que corresponde a aproximadamente 24% da nossa população. Em Pernambuco, os números mais recentes são do Censo de 2010, que apontaram 223 mil deficientes vivendo em nosso Estado. Uma vida cercada de muitas dificuldades, na maioria dos casos. Muitos destes, sem acesso a melhorias em aspectos primordiais, relativos à saúde. Mais especificamente, no tocante a exercícios físicos.

Isso muito em parte ocorre por uma política pública de saúde equivocada e já ultrapassada, onde acredita-se que um indivíduo com alguma limitação de ordem motora não possa ter acesso a realizar certas atividades ou melhorar sua qualidade de vida. Como por exemplo, ter acesso a programas de reeducação alimentar, frequentar academias, realizar exercícios funcionais na praia, sessões de hidromassagem ou massagens fisioterapêuticas. É necessário esclarecer que tudo isso é possível ser adaptado para um portador de deficiência, graças a evolução da medicina e com as devidas adaptações. Óbvio que é necessário destacar a importância de várias avaliações prévias para que se haja um balanceamento ao que ele pode fazer, de como o programa será ministrado e aí permitindo que a pessoa possa se adequar a esta nova rotina.

É claro que também surge a necessidade de um acompanhamento especial de profissionais qualificados em trabalhar com este público mais que especial.

Por isso eu, Gustavo Militão, estudante de Jornalismo e deficiente físico portador da patologia genética denominada Osteogenesis Imperfecta (popularmente conhecida como “Ossos de Cristal” ou “Doença de Lobstein”, que é causada pela baixa quantidade de colágeno nos ossos, o que amplia o risco de fraturas), fui desafiado pela diretora executiva da Revista Paradigma, Manu Asfora, e por cinco profissionais da área da saúde para mostrar aos leitores que a acessibilidade para a prática de exercícios físicos é mais que um direito, mas uma necessidade, inclusive para quem possui alguma deficiência.

O desafio consistia em ser avaliado e trabalhar minhas necessidades com o Dr. Dilamar Pinto (ortopedista), Ana Nery Borba (fisioterapeuta), Laiz Cabral (nutricionista) e Pedro Leite (graduando em educação física), com a supervisão do graduado Rodrigo de Siqueira Lins (professor na academia Elite Fitness).

A “missão” que recebi foi de me submeter a uma série de avaliações e mostrar quais são os passos que eu, ou qualquer pessoa na mesma condição, deveria tomar na busca de uma rotina mais saudável no seu dia a dia. Em forma de diário, relatarei como foi esta verdadeira maratona para manter a forma e uma melhoria gradual na minha saúde para encarar a rotina diária. Afinal, a busca por uma melhor qualidade de vida e a plena acessibilidade física é um direito de todos nós, não é mesmo? Let’s go!

QUINTA-FEIRA,
24/08/2017
11:07H

O próximo passo foi ir até o consultório da fisioterapeuta Ana Nery Borba. Ela já trabalha cuidando de pessoas com limitações físicas há 10 anos, e se especializou em uma técnica voltada para a inibição de pontos-gatilhosmiofasciais (ou trigger points), para pacientes que se queixam de dores e rigidez persistente e inexplicável na musculatura. Os pontosgatilhos são instalados na musculatura toda vez que ela é submetida a uma carga além de sua tolerância, formando uma área que, quando ativada, acarreta no indivíduo fadiga, tensão, fraqueza e espasmos (que são contrações musculares involuntárias que geram dor). Além de outros sintomas, como a queda na sua produtividade. Existe uma série de fatores que podem levar a aparição de pontos-gatilhos nas pessoas, sejam ou não deficientes físicos. Dentre eles, traumas musculares, movimentos repetitivos, estresse, má postura e até mesmo déficit nutricional.

Ana Nery inicialmente me questionou se eu sentia algum tipo de dor. Relatei que não é algo constante, mas por vezes (em períodos de provas, principalmente) sinto dores na região da nuca. Como passo a maior parte de meu tempo sentado e tenho problemas de postura, ela me explicou que a avaliação consistisse em detectar estes pontos no meu corpo. Por cerca de 25 minutos, a fisioterapeuta aplicou esta técnica em mim, para procurar estes pontos, e os encontrou facilmente, o que me deu uma sensação imediata de mais flexibilidade no pescoço, e de alívio, como se uma dor “adormecida” tivesse sido retirada naquele ato.

Durante a consulta, ela me disse que é preciso uma relação de confiança entre paciente e o profissional para que o processo tenha sucesso. “Paciente não é receita de bolo”, alertou Borba. Também é importante desconstruir a ideia que um deficiente físico não pode se exercitar e buscar a boa forma. “Independente da patologia, quero mostrar que precisamos dar uma melhor qualidade de vida para o paciente. Avaliar e tratar o paciente como um todo”, disse ela. A fisioterapia bem feita permite que pessoas recuperem determinados movimentos e possam se livrar de dores que causem limitações no seu cotidiano. Mas este não é um processo de mão única. “O paciente é a cabeça, é quem resolve. Força de vontade e a determinação são tudo”, resumiu.

Finalizamos a consulta e pedi a Ana Nery que contasse como foi a avaliação, já que era a minha primeira ida a um fisioterapeuta em muitos anos e me causou curiosidade em saber o diagnóstico do meu quadro. Entendo que pesa o fato de não ter uma vida constante de exercícios físicos, além de deformidades, várias fraturas de membros ao longo da vida (foram 57 ao todo), que causaram deformidades e, por tabela, acabaram prejudicando minha postura corporal, pela escoliose.

“Como você relatou que sente um incômodo quando faz movimento de lateralização de cabeça, peguei um desses pontos na região do trapézio e desativei este ponto-gatilho, favorecendo uma maior oxigenação na região do músculo, permitindo uma maior flexibilidade”, disse Borba. Nesta primeira avaliação, até para minha surpresa, não foram encontrados tantos pontos-gatilhos. Saí de seu consultório com a nítida sensação de relaxamento, e como se um “peso” tivesse sido retirado da região do pescoço. Tchau aos pontos-gatilhos, vamos cuidar agora da parte física!

QUINTA-FEIRA,
06/09/2017
15:45H

Há três anos que, por recomendação médica de meu endocrinologista de longa data, Dr. Fernando Almeida, frequentei academia por um período de oito meses. Me sentia muito bem fisicamente. Comecei a fazer coisas que não tinha ideia, como exercícios em supino e correr na esteira por quase 15 minutos.

A terceira etapa deste desafio seria uma avaliação física na Academia Elite Fitness, com Pedro Leite, estudante de Educação Física, e com o auxílio do personal Rodrigo de Siqueira Lins. Pedro está quase concluindo a faculdade e pretende se especializar na área de preparação de atletas que pratiquem esportes de alto rendimento. Mas topou participar deste desafio com um sedentário. Rodrigo atua há 22 anos na área da Educação Física. É pós-graduado na área de fisiologia do exercício e já fez vários trabalhos com pessoas que possuem necessidades especiais. A área de exercícios físicos para este grupo de pessoas passou por uma grande evolução nos últimos anos, tornando-se quase 100% acessível. “Hoje em dia os exercícios podem se adaptar a diversas pessoas e de várias formas. Pessoas cadeirantes, com osteopatia, diabetes ou problemas cardíacos… eram restritas aos exercícios. E hoje estas atividades trabalham para ajudar. Há pouquíssimos casos, hoje em dia, de pessoas que não possam fazer nenhum exercício, pois eles conseguem se adaptar”, observou Lins.

Me submeti a uma avaliação física completa, com as devidas adaptações. Além de ter respondido perguntas sobre minha rotina de vida (a chamada anamnese). Foram feitos diversos testes relativos a composição corporal (bio impedância), estrutura óssea e muscular. Além de verificar minhas medidas e passar por exames de equilíbrio e força.