Sou de vidro

,

Capa: COMPETÊNCIA HEREDITÁRIA

, ,

Anderson Ferreira: Foco, Força e Fé

Anderson Ferreira Rodrigues começou jovem na política, atuando como militante na ala jovem do PR (Partido da República) e sendo presidente do diretório estadual do partido. Seu primeiro teste nas urnas aconteceu em 2010, enfrentando a difícil disputa de se eleger deputado federal. Com o êxito de sua atuação na câmara, se reelegeu para o segundo mandato com o triplo de votos obtidos na primeira eleição.

Assim, com o legado que galgou, em 2016 venceu a disputa em segundo turno, para a Prefeitura do Jaboatão dos Guararapes, segundo maior município de Pernambuco, com 171.057 votos. A vitória veio como a consolidação de uma carreira política de sucesso veloz. Ligado à comunidade evangélica, conquistou projeção nacional como o autor do Projeto de Lei 6.583/13, que criou o “Estatuto da Família”, com a finalidade de normatizar políticas públicas em áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e assistência social. Bastante atuante em Brasília, participou de várias comissões na Câmara dos Deputados e também foi vice-líder do bloco composto pelos partidos PR, PTdoB, PRP, PHS, PTC, PSL e PRTB.

Em pouco tempo de gestão, Anderson vem implementando uma série de mudanças em Jaboatão dos Guararapes. Sua administração tem tocado vários projetos em áreas como educação, saúde e infraestrutura, além de ter promovido um ousado corte nas secretarias municipais para apenas 7, fora o corte de 40% na nomeação de comissionados, e redução de 33 para 24 secretarias executivas, o que gerou economia para os cofres públicos do município. Utiliza seu próprio veículo, e os secretários não dispõem de carros também, só a serviço. Casado e pai de três filhos, aos 44 anos mantém a tradição política de sua família, iniciada por seu pai, o ex-Deputado Estadual Manoel Ferreira. Num momento conturbado da política, em todos os âmbitos, se faz importante ouvir lideranças de destaque para que se saiba o que elas têm a dizer sobre a atual situação de Pernambuco e do Brasil.

Nesta entrevista à Paradigma, o Prefeito também aproveita para fazer um balanço de sua gestão até o momento, e conta sobre os próximos projetos que sua administração visa executar. Uma entrevista de prestação de contas, de reflexões da situação política atual, mas também de revelações sobre sua trajetória pessoal.

Manu Asfora – Prefeito, qual o balanço que o senhor faz até o momento de sua gestão?
Anderson Ferreira – Nesses meses de gestão, nós temos feito alguns avanços que a população do Jaboatão vinha cobrando de gestões passadas. Nosso foco foi principalmente a área social. Investimos na educação, na saúde, duplicamos o número de creches. Encontramos quatro creches em Jaboatão e hoje são oito, com mais cinco em construção. O município possui 40% das mulheres donas de casa que sustentam os lares, então elas tinham dificuldades de deixar as crianças por conta dessa deficiência de creches no nosso município. Hoje temos mais creches, o que vai melhorar essa situação. Então, o balanço que fazemos é muito positivo, diante do que foi encontrado, com as correções que teremos que fazer, ao longo destes quatro anos de mandato. E já iniciamos.

MA – Em 2016 o fato da eleição municipal ter sido bastante disputada (chegando ao segundo turno) lhe trouxe uma responsabilidade ainda maior neste começo de mandato?
AF – A nossa proposta na campanha era de “compromisso com a mudança”. Essa responsabilidade, nós trouxemos da campanha, e estamos colocando nesta gestão. Nossa eleição foi através da confiança que o eleitor do Jaboatão nos colocou. A população queria mudança. Tivemos o discurso da mudança e a estamos implementando, e essa responsabilidade vem sendo colocada para toda a equipe. Todo secretariado e as pessoas que trabalham na prefeitura, estão empenhadas em fazer uma gestão diferenciada, que atenda aos anseios e pleitos da população.

MA – Estamos pela primeira vez entrevistando um prefeito. E mais, um que não é da cidade de origem da revista. O fatode sua gestão estar em evidência em outras cidades vizinhas pode provocar uma mudança de planos futuros?
AF – Nosso foco é a administração. O compromisso é implementar uma gestão exitosa, moderna, transparente e com bastante ética. E é isso que estamos colocando. Mais adiante, acredito que nossa gestão será reconhecida pela população. E este é o nosso principal objetivo.

MA – Tão pouco tempo e com tantos projetos já em execução, como por exemplo, na educação, onde você lançou o sistema de frequência facial nas escolas. Como é este sistema e como surgiu esta ideia?
AF – Ele surgiu da necessidade de oferecer segurança aos pais e alunos, e como um meio de buscar eficiência e economia na área da educação. Quando a criança ou o jovem entra na escola, se dirige à máquina, então, aparece a foto do aluno. A presença já é registrada. O professor não precisa mais fazer a chamada na sala de aula, e isso traz um ganho de tempo, porque na chamada oral o professor perderia de 15 a 20 minutos.

NÓS TEMOS FEITO ALGUNS AVANÇOS QUE A POPULAÇÃO DO JABOATÃO VINHA COBRANDO DE GESTÕES PASSADAS. A POPULAÇÃO QUERIA MUDANÇA. TIVEMOS O DISCURSO DA MUDANÇA E ESTAMOS A IMPLEMENTANDO.

E este tempo passa a ser revertido para o conteúdo da aula. Quando o número total de alunos é registrado na escola, a merendeira já sabe quantos alunos tem e vai fazer a merenda de acordo com a quantidade. Isso gera economia. Se por acaso o aluno não comparece depois que os portões são fechados, o próprio sistema lança uma mensagem de SMS para o telefone dos pais, para comunicar que aquele aluno não esteve presente. Isso traz segurança. São ao todo 16 módulos que este programa oferece, desde o acesso aos boletins, até os dados de Bolsa Família. Todo um sistema dentro deste programa de frequência facial, que vai além do registro da presença do aluno na escola. Outro programa que foi lançado na área da educação é o “Educação Inclusiva”, é um programa que pode ser usado tanto na residência do aluno, quanto na sala de aula. Lançamos o programa com um aluno do Conjunto Marcos Freire, que tem dificuldade de locomoção. Não pode ir para a escola e nem consegue escrever. Foi montado um sistema de computador na casa dele e outro sistema na escola, Escola com uma lousa digital, câmeras na sala de aula e na residência do aluno. Ele assiste a aula de casa, como se estivesse na escola. Um monitor fica na sala de aula onde aparece a imagem do aluno. E ele se comunica diretamente, tanto com o professor, quanto com os colegas de sala, interagindo com todos. Ele pode responder perguntas do professor e participar de estudo em grupo. Queremos que o aluno não se sinta excluído e esteja incluído na sala de aula. É um projeto pioneiro no Brasil, ganhou um prêmio nacional. Vale ressaltar que o projeto foi criado pelo Instituto Hands Free, que é do Jaboatão dos Guararapes.

A GRANDE INSPIRAÇÃO VEM DO MEU PAI, O DEPUTADO MANOEL FERREIRA. FOI COM ELE QUE APRENDI A ÉTICA, AS QUESTÕES MORAIS E MEUS PRINCÍPIOS CRISTÃOS. APRENDI COM ELE, CONVIVI COM ELE EM CASA COMO PAI E ELE COMO POLÍTICO. É UM EXEMPLO QUE EU E MEU IRMÃO ANDRÉ FERREIRA SEGUIMOS E APLICAMOS EM NOSSAS VIDAS.

MA – O Centro Cultural Miguel Arraes era um matagal que pertencia ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Soube que você pediu a cessão deste espaço, transformando em uma área de lazer, cultura e de atendimento a população, o que vem dando super certo. Conte mais sobre esse projeto para nossos leitores.
AF – Este centro foi construído e inaugurado em 2012,pelo Governo Estadual, mas nunca funcionou. Inauguraram e não colocaram para funcionar. É um espaço de quase 24 mil metros quadrados, com estacionamento e ar condicionado central. Uma área belíssima, mas que estava abandonada. Quando assumimos a gestão, solicitamos a cessão daquele espaço para a prefeitura administrar.Fizemos uma reforma, colocando iluminação em LED e hoje estamos realizando vários eventos, como exposições, apresentações culturais e até o aniversário da cidade. Foi uma concessão gratuita, a prefeitura reformou, está aproveitando para eventos culturais diversos e a população ganhou uma área de lazer que não existia no município.

MA – Uma curiosidade minha sobre a orla do Jaboatão,que não possuí muitos equipamentos urbanos. Existe algum projeto para melhorar a situação da orla?
AF – Existe. O verão está aí e estamos com projetos para valorizar a orla do Jaboatão e a tornar atrativa de várias formas. Não só para o jaboatonense, mas para o turista que visita nosso município e quer ter a oportunidade de aproveitar as nossas praias.

MA – Aproveitando o gancho, vamos falar sobre Jaboatão Centro. O que a nova gestão pretende fazer por este lugar que sempre ficou à margem em gestões passadas, sem ter um gestor voltado para lá?
AF – Jaboatão Centro é a raiz, o coração do Jaboatão. Nós temos total intenção de investir e fazer a população de lá voltar a sentir orgulho de morar em Jaboatão Centro. Temos projetos na área de serviços, para cuidar que o local volte a ser revitalizado, pois está precisando. Está dentro do nosso planejamento fazer um belo trabalho e, volto a dizer, fazer o morador do Jaboatão Centro voltar a sentir orgulho de residir naquela área.

MA – Ainda sobre Jaboatão Centro, existe algum projeto voltado para o Cine Teatro Samuel Campelo?
AF – O teatro passou por uma reforma recente e está sendo utilizado. Inclusive, há pouco, tivemos um evento lá [abertura dos jogos estudantis] e fizemos [no teatro] para valorizar Jaboatão Centro. Antes, os eventos eram realizados em outros locais, como Piedade e Candeias, deixando Jaboatão Centro meio esquecido. Então, fizemos a abertura dos jogos no Samuel Campelo. Já estamos à procura de parceiros para elaborar um calendário cultural e esperamos que, num curto prazo, possamos ter uma vasta programação no teatro.

MA – Vamos falar um pouco de uma área que importa para todos nós, que é a saúde. Soube que a prefeitura lançou um aplicativo chamado “De olho na consulta”, que inclusive, recebeu um prêmio nacional. Que através dele é possível fazer acompanhamento de consultas. Qual a expectativa da prefeitura com este aplicativo,bjunto a população?
AF – Quando assumimos a prefeitura, existia uma filade espera enorme para exames especializados, como nas áreas de cardiologia, psicologia, tomografia… A determinação foi reduzir estas filas. Primeiro, fizemos um mutirão todos os dias, incluindo sábados, para adiantar estes exames específicos. Montamos toda uma estrutura no Centro Cultural Miguel Arraes e reduzimos bem este número. Atendemos a cerca de 11 mil pessoas, que tiveram suas consultas especializadas antecipadas. Gente que iria fazer o exame em novembro, dezembro, já fez sua consulta. Mas queríamos mais! Então criamos o “De olho na consulta”. O usuário do SUS vai a um posto de saúde, faz a consulta e o médico determina o tipo de exame. No apenas uma transcrição do que está na Constituição Brasileira. Não foi criado por mim e sim pelo próprio Congresso Nacional. E para qualquer parlamentar apresentar um projeto de lei onde for e seja qual o nível no legislativo, tem que estar de acordo com a Constituição. Se for diferente, o projeto passa a ser inconstitucional. Temos um foco sobre a importância da família: ela deve ser preservada e valorizada. Este estatuto, que já foi aprovado na Câmara Federal, vem para isso: para valorizar e preservar a família brasileira.

MA – Quem foram suas inspirações no começo de sua carreira política? Qual a característica mais marcante delas?
AF – A grande inspiração vem do meu pai, o deputado Manoel Ferreira. Foi com ele que aprendi a ética, as questões morais e meus princípios cristãos. Aprendi com ele, convivi com ele em casa, como pai e como político. É um exemplo que eu e meu irmão, André Ferreira, seguimos e aplicamos nas nossas vidas.

MA – Como fazer o povo brasileiro voltar a acreditar na classe política?
AF – Olhe, o mundo está mudando. Temos exemplos aí de figuras importantes da política brasileira que se achavam imunes a qualquer tipo de investigação e punição. Exemplos não faltam. E é preciso que cada um que agora queira entrar na política ou que esteja na política, siga o caminho da ética, da transparência e use a política não para si próprio, mas para o bem comum das pessoas. Usar o dinheiro público de forma correta, priorizar as ações e atender os desejos da população, e não os de grupos ou partidos políticos, como temos visto ultimamente. A fiscalização aumentou, temos um Ministério Público atuante, uma Polícia Federal atuante… e quem não andar na linha, vai ter problemas.

MA – Que nota daria para a atual situação política de Pernambuco e do Brasil
AF – Pernambuco, assim como o Brasil, vem atravessando problemas políticos, administrativos e econômicos. A nota eu não sei qual poderíamos dar. Infelizmente, pessoas que assumiram o poder e atuam na política, deram maus exemplos. Cabe a quem quer realmente fazer a mudança, assumir este compromisso e tocar adiante. Fazer tudo certo em prol da população.

MA – Anderson Ferreira por Anderson Ferreira? 
AF – Uma pessoa que tem foco, força e fé no que faz.

E É PRECISO QUE CADA UM QUE AGORA QUEIRA ENTRAR NA POLÍTICA QUE ESTEJA NA POLÍTICA SIGA O CAMINHO DA ÉTICA, DA TRANSPARÊNCIA E USE A POLÍTICA NÃO PARA SI PRÓPRIO, MAS PARA O BEM COMUM DAS PESSOAS. USAR O DINHEIRO PÚBLICO DE FORMA CORRETA, PRIORIZAR AS AÇÕES E ATENDER OS DESEJOS DA POPULAÇÃO E NÃO OS DE GRUPOS OU PARTIDOS POLÍTICOS, COMO TEMOS VISTO ULTIMAMENTE.

MA – Como é a sua rotina de trabalho? Há também espaço para um contato direto com a população?

AF – Quase que diariamente a gente vai para a rua vistoriar obras, e vem dando certo. O contato “olho no olho” com as pessoas é muito importante e isso vem tendo um resultado muito positivo. Porque ele tá vendo não só o prefeito, mas os secretários na rua. Se tem uma rua com algum problema, todos nós fazemos questão de estar lá e ouvir a reclamação da população. E aí vamos dizer o que fazer. Mas também é o seguinte: nós trabalhamos aqui com sinceridade. Se a pessoa vem fazer uma reclamação de uma rua que precisa ser calçada, mas que não está no nosso planejamento, utilizamos da sinceridade e dizer: “Olha, agora nós não vamos fazer”. Temos um planejamento, mas o nosso objetivo e alcançar todas as ruas do Jaboatão. Para que se tenha uma ideia, de janeiro para cá, mais de 500 ruas já foram recuperadas. Entre pavimentação, paralelepípedo, micro drenagem e tapa-buraco. Quando chegamos aqui, Jaboatão tinha 25% das ruas calçadas. Hoje já chegamos a 30%. Foi um trabalho preventivo que fizemos desde o início do ano e depois de passado o inverno, intensificamos o trabalho. E hoje estamos vendo resultados com as ruas em melhores condições. Tem muito o que fazer ainda, mas nossas equipes estão na rua trabalhando. Temos exemplos, como no caso da Rua Jangadeiro em Candeias, onde já apresentamos resultado. A Cel. Kleber de Andrade [também em Candeias], que teve obras iniciadas em 2013 e foram paralisadas depois das eleições municipais de 2016, pela gestão anterior. Nós retomamos estas obras, com recursos próprios e a rua está saneada e calçada. Recuperamos avenidas no Curado, Piedade, Santo Aleixo, Vila Rica. Temos procurado atacar todos estes pontos na cidade que precisavam de manutenção.

MA – Qual a importância do Estatuto da Família, um projeto de lei de sua autoria como Deputado Federal?
AF – O Estatuto da Família foi apresentado por mim com o intuito de proteger a família. Qual o objetivo? Por exemplo, se tem um caso de saúde que envolva toda a família, em vários aspectos, dê prioridade. Na educação, na justiça, no meio ambiente… É um estatuto que abrange várias vertentes, sempre com o objetivo de beneficiar a família. Foi criada toda uma polêmica em torno do estatuto por conta de um artigo da Constituição, aprovada em 1988, que estabelece como o núcleo familiar ser formado por homem e mulher. Tenho explicado sempre que este artigo é apenas uma transcrição do que está na Constituição Brasileira. Não foi criado por mim e sim pelo próprio Congresso Nacional. E para qualquer parlamentar apresentar um projeto de lei onde for e seja qual o nível no legislativo, tem que estar de acordo com a Constituição. Se for diferente, o projeto passa a ser inconstitucional. Temos um foco sobre a importância da família: ela deve ser preservada e valorizada. Este estatuto, que já foi aprovado na Câmara Federal, vem para isso: para valorizar e preservar a família brasileira.

MA – Quem foram suas inspirações no começo de sua carreira política? Qual a característica mais marcante delas?
AF – A grande inspiração vem do meu pai, o deputado Manoel Ferreira. Foi com ele que aprendi a ética, as questões morais e meus princípios cristãos. Aprendi com ele, convivi com ele em casa, como pai e como político. É um exemplo que eu e meu irmão, André Ferreira, seguimos e aplicamos nas nossas vidas.

MA – Como fazer o povo brasileiro voltar a acreditar na classe política?
AF – Olhe, o mundo está mudando. Temos exemplos aí de figuras importantes da política brasileira que se achavam imunes a qualquer tipo de investigação e punição. Exemplos não faltam. E é preciso que cada um que agora queira entrar na política ou que esteja na política, siga o caminho da ética, da transparência e use a política não para si próprio, mas para o bem comum das pessoas. Usar o dinheiro público de forma correta, priorizar as ações e atender os desejos da população, e não os de grupos ou partidos políticos, como temos visto ultimamente. A fiscalização aumentou, temos um Ministério Público atuante, uma Polícia Federal atuante… e quem não andar na linha, vai ter problemas.

MA – Que nota daria para a atual situação política de Pernambuco e do Brasil
AF – Pernambuco, assim como o Brasil, vem atravessando problemas políticos, administrativos e econômicos. A nota eu não sei qual poderíamos dar. Infelizmente, pessoas que assumiram o poder e atuam na política, deram maus exemplos. Cabe a quem quer realmente fazer a mudança, assumir este compromisso e tocar adiante. Fazer tudo certo em prol da população.

MA – Anderson Ferreira por Anderson Ferreira?
AF – Uma pessoa que tem foco, força e fé no que faz.

,

Cidades Planejadas

Por: James Dubeux

Economista formado por University of North Carolina at Chapel Hill, representante da Moura Dubeux na área de Relacionamento com investidores. james@mouradubeux.com.br

Em 1900 10% da população humana era urbana, em 2010 ultrapassamos o marco de 53% da população urbana, e até 2050, pesquisas apontam que 70% da população humana será urbana. Esse deslocamento da população humana para nossas cidades nos obriga a responder perguntas e desafios significativos como onde vão morar essas pessoas, como vão se locomover, a cadeia de alimentos, o fornecimento de água, saneamento, e energia para citar apenas alguns. Como diria Oliver Wendell na introdução do livro The Death and Life of Great American Cities, em vez de causar desespero, esses desafios deveriam nos inspirar porque irão demandar cada vez mais esforços intelectuais cada vez mais complexos e em conjunto, e são esses esforços que representam uma vida mais rica e completa.

james2No Brasil, temos vários exemplos de projetos de infraestrura que tratam de abrir espaço nas cidades para elas crescerem nos exemplos do Rodoanel de São Paulo e a Ave. Paralela de Salvador. Talvez o exemplo mais bem-sucedido e conhecido no mundo é o caso de Curitiba e seu sistema BRT. Em Recife, o foco principal tem sido os polos industriais na forma de Suape e Goiana. Esses projetos têm sido bem-sucedido na geração de emprego e desenvolvimento econômico, mas esqueceram de levar em conta os outros elementos da vida humana.

Hoje, quem tem entrado para suprir essa lacuna são as incorporadoras imobiliárias com o planejamento de cidades e bairros. Na época pós-industrial, esse desenvolvimento urbano tem acontecido em terrenos onde as indústrias foram descontinuadas, com os projetos mais emblemáticos localizado em áreas portuárias ou fabricas descontinuadas a décadas. Porém, o espaço limitado e velocidade do crescimento em Recife demandam soluções mais audaciosas e é por isso que vemos as cidades planejadas e bairros planejados de grande porte em áreas novas, ou seja, o reaproveitamento de áreas verdes antigamente dedicadas à indústria açucareira.

james3Antigamente as incorporadoras precisavam pensar apenas por lote, rua, ou no máximo no nível do bairro. Nesse produto novo, as incorporadoras estão sendo forçadas em pensar em infraestrutura, densidade, transporte, e outros fatores novos. Essas novas perguntas requerem uma sintonia cada vez maior com projetos de longo prazo das prefeituras e até do estado em exemplos como o transporte fluvial do Rio Capibaribe, corredor BRT da Caxangá, VLT do Cabo, e os novos polos industriais/clusters como Suape e o polo automobilístico. Se conseguimos acertar esse equilíbrio, estaremos bem encaminhado em criar bairros e cidades com pessoas bem empregadas, socialmente seguras, e no meio de um ambiente mais amplo que permite lazer e exercício para se viver com saúde. Tudo isso irá requer a sintonia de politicas e leis do governo, estratégia na parte das empresas, capital de investidores e financiadores, e a confiança dos consumidores num produto final nunca visto antes.

Na medida em que essas cidades vão atingindo suas populações desejadas, é importante que as incorporadoras se lembrem da ordem de prioridades de Jahn Gehl, para pensar nas vidas das pessoas, o espaço em que elas vivem, e por último, as edificações que formam esse espaço.

Arquipélago de Sabores: Ilha da Kosta

Nos livros de Geografia, Ilha é definida por: “uma porção de terra cercada de água por todos os lados”. Mas, no caso do Grupo Ilha, foi o sucesso que acabou cercando as suas ilhas. Conheça a história de perseverança, carisma e empreendorismo de um dos mais conhecidos cases de sucesso da gastronomia pernambucana.

_MG_3795Por: Gustavo Militão
Fotos: Gleyson Ramos
No Brasil existem muitas histórias bem-sucedidas de negócios administrados com base familiar, sobretudo no mercado da gastronomia. Mas, em particular, a história dos empresários José Inácio de Lucena, 51 anos, e Severino Inácio de Lucena (também conhecido como Bill Ilha), 50 anos, fundadores do Grupo Ilha, uma das mais conhecidas redes de bares e restaurantes de Pernambuco, chama a atenção por várias peculiaridades. Sobretudo pela luta e pela perseverança de não desistir de seus sonhos e ideais, o que serve de exemplo para muitos empreendedores.
Uma história que começou em Frei Miguelinho, uma pequena cidade do agreste pernambucano localizada a 114 quilômetros de Recife. Mais precisamente no Sítio Ventura, zona rural do município. No ano de 1978, José Inácio e Severino, os filhos mais velhos do casal Josefa e Inácio Lucena, chegam a Recife com a esperança de buscar um futuro melhor para eles e sua família. A infância dos irmãos foi dedicada basicamente ao trabalho na lavoura. Viviam numa casa simples, sem luz elétrica e água encanada, cuja realidade era também a de muitos moradores da cidade na época. José Inácio foi o primeiro à chegar a capital e quatro meses depois veio Severino.

Mesmo muito jovens, começaram a sua jornada na cidade grande como auxiliares de serviços gerais através de uma vaga surgida na Cantina Star, no bairro da Boa Vista. Foi aí que os irmãos tiveram seu primeiro contato com o mundo da gastronomia. Depois, passaram a trabalhar como auxiliares de cozinha e ficaram juntos até 1980, quando Bill deixou a Cantina Star e foi trabalhar no restaurante Ilha de Kos (nome inspirado na famosa Ilha Grega, localizada no Sudeste do Mar Egeu). José Inácio foi para o restaurante Casa D’Itália. Em ambas as casas exerceram funções semelhantes. Foram auxiliares de cozinha, depois auxiliares de garçons e, por último, começaram a trabalhar como garçons, seguindo a trajetória de muitos conterrâneos de Frei Miguelinho (a cidade é conhecida em Pernambuco como “cidade dos garçons”, pois boa parte dos garçons da região metropolitana do Recife são oriundos deste município).

 

Com o surgimento do primeiro Ilha da Kosta (que funciona no mesmo local hoje em dia e pertencia ao mesmo dono do Ilha de Kos, Inácio Silva), Severino também foi para lá trabalhar como garçom. Em 1982, passando por dificuldades financeiras, o dono do restaurante perguntou se Severino teria interesse de assumir o comando da casa. Sozinho, ele não poderia. Porém, entrou em contato com o seu irmão e mais um sócio (Erasmo). Ambos juntaram o capital necessário e passaram a gerenciar a casa, que ficou fechada por apenas três dias e reabriu com o mesmo nome. Apesar da pouca idade (Severino tinha apenas 17 anos e 10 meses), ele se via capaz para tocar o negócio com êxito e aceitou o desafio. Abriu mão de conforto de uma casa para morar no próprio negócio e economizar dinheiro com aluguel. Também não gastava com supérfluos, tudo para poder economizar ao máximo com as despesas para manter os compromissos do restaurante em dia. E reinvestir o lucro no próprio negócio. O movimento da casa ia evoluindo aos poucos. Paulatinamente o restaurante começava a cair no gosto do público, basicamente formado por turistas e pelos jovens de Boa Viagem, que antes de saírem para a “noitada” faziam uma parada obrigatória no Ilha da Kosta.

Percebendo isso, os irmãos saiam divulgando o restaurante através de panfletos distribuídos nas boates e casas de show de Recife, destacando que a casa ficava aberta até o início da manhã, para também pegar o público que chegava das festas espalhadas pela cidade e que não dispensavam o suculento parmegiana, ou simplesmente parmê (prato considerado o carro-chefe do restaurante) para matar a fome. “As pessoas podem não me conhecer, mas quando falam do Ilha da Kosta logo lembram do parmê”, conta Severino. Outros tamanhos de parmegiana também foram criados com o tempo para se adaptar as necessidades do cliente.

Rapidamente, os pais dos filhos que frequentavam o Ilha da Kosta naquela época também passaram a frequentar a casa, o que ajudou a fidelizar ainda mais o público em Boa Viagem. Clientela esta que em certos casos já chega à terceira geração hoje em dia.
SEGREDOS DAS ILHAS Muitos clientes já devem ter feito essa pergunta: Por que o famoso “Parmê” servido no Ilha da Kosta é tão saboroso e requisitado até hoje por quem frequenta o local? Apuramos e descobrimos que o segredo pode estar na composição do molho, já que ele é feito pelo mesmo cozinheiro desde o começo do grupo. “Não é um molho de tomate comum, Pomodoro, é um molho diferente”, nos explica Bill. Outro prato bastante conhecido do grupo é a moqueca servida no Ilha dos Navegantes, bastante elogiada pelos clientes da casa. Neste caso, ele revela que o segredinho está na boa escolha dos tomates que vão para o molho. Ele lembra que os tomates precisam estar bem maduros. “Não podem ser aqueles usados em saladas. Mesmo que não sejam grandes. Além de que, quanto mais tempo a moqueca ficar cozinhando, melhor”.

Com a saída de Erasmo da sociedade após dois anos, os irmãos não desistiram e continuaram à frente do empreendimento. Logo surgia o Costa do Mar, a primeira filial do Grupo Ilha. O nome acabou não pegando e rapidamente foi alterado para Ilha da Kosta II. O cardápio era basicamente o mesmo do Ilha da Kosta, com exceção de alguns tipos de carne na brasa que eram servidos e logo foram retirados por conta da fumaça excessiva no local. O movimento da nova casa não evoluiu satisfatoriamente por alguns anos. Até que, no começo dos anos 90, chega ao Brasil o conceito dos restaurantes que vendem comida por peso, também chamados de “self service”. Percebendo uma boa oportunidade de alavancar os negócios, os irmãos decidem introduzir o serviço nos dois restaurantes do Grupo Ilha. Tacada certeira. Por pouco, não foram os pioneiros no Recife, mas foram os que mais obtiveram sucesso na época. O serviço de “comida por peso” oferecia ao cliente a rapidez e a liberdade de escolha, tanto do alimento quanto da quantidade desejada. Para os restaurantes, a vantagem do baixo custo de implantação, a maior eficiência decorrente do preparo dos alimentos em grandes quantidades e a capacidade de servir mais clientes ao mesmo tempo através do sistema delivery (entrega em casa), que também passou a ser oferecido pelo Ilha da Kosta II. Rapidamente a casa se tornou um referencial deste serviço no Recife. Com uma média de 400 refeições vendidas ao dia, que nos fins de semana chegavam facilmente as 800. O recorde foi de 981 almoços vendidos em um único dia. O grupo enfim dava o seu grande salto de crescimento e se preparava para ampliar seus horizontes de atuação.

ilha1Em 1998 a área do Ilha da Kosta II foi expandida, onde um novo estacionamento foi criado e o grupo trazia a sua clientela uma nova opção: o Ilha do Guaiamum, para atender o público que gostava de frutos do mar e especialmente o guaiamum. A casa rapidamente caiu no gosto e assim se mantém até hoje como uma das mais conhecidas na cidade. Sempre buscando ampliar sua gama de serviços oferecidos, o Grupo Ilha mostrava uma de suas características particulares: a de sempre buscar novos clientes com diversificadas ofertas de cardápio: “Buscamos sempre novos clientes. O cliente vai numa casa, vai de novo e depois não vai mais. Aí você precisa reformar o espaço para atrair o cliente a ir novamente”, conta Bill.

E novas opções surgiram para atrair novos clientes. Inicialmente foi lançado o Ilha Burger, a primeira lanchonete do grupo situada na Avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem. Em tempos de Carnaval e de Recifolia, a lanchonete se tornava um point estratégico de encontro e também para que os foliões pudessem repor as energias com os saborosos sanduiches servidos no local. Em noites de festa, eram vendidos facilmente quase 2000 sanduiches/ dia. Atualmente o Ilha Burger deixou a Antônio Falcão e está operando no mesmo lugar do Ile de Crepe, mas há planos para que a casa em breve volte a operar sozinha em outro local.
Com a descoberta da culinária japonesa pelo recifense no fim dos anos 90, Bill e Zé Inácio pesquisaram e viram uma nova oportunidade de negócio. Então, em 2000, surgiu o Ilha Sushi, que funciona também no mesmo local do Ilha da Kosta II. Apesar da grande concorrência de outros restaurantes japoneses na cidade, o Ilha Sushi ainda se mantém com uma boa clientela até hoje e passará em breve por uma nova roupagem em suas instalações.
A creperia do grupo, o Ile de Crepe, abriu em 2008 num ponto próximo ao Ilha da Kosta II. Apesar de um público alvo considerado restrito, formado basicamente por casais, a casa segue tendo uma movimentação aceitável e que não inibe o Grupo Ilha a seguir mantendo a operação.
Severino afirma que a preocupação não é apenas o lucro com o negócio, e sim com a oferta de serviços: “A ideia não é ganhar dinheiro com o negócio, e sim manter o grupo com opções que possam atender a vários públicos. Procurar sempre no mercado gastronômico atender ao máximo de público”, explica. Em 2009 nascia um dos projetos mais bem-sucedidos do Grupo Ilha: O Ilha dos Navegantes. O terreno onde hoje funciona o bar e restaurante já era monitorado por Severino há algum tempo.

ilha2

ilha3Inicialmente, um prédio seria construído na área, mas o projeto não seguiu em frente. Um dia, passando pelo local, Bill depara-se com uma placa de aluga-se. Era a oportunidade tão esperada. Outros restaurantes também já estavam de olho na área, mas ele foi mais rápido e fechou o negócio, contando com a preferência do dono do terreno em acertar com o Grupo pela credibilidade no mercado. Apesar de já ter um projeto em elaboração para a construção de um restaurante na Av. Conselheiro Aguiar, o mesmo foi adiado para a montagem do Ilha dos Navegantes.

Coube ao renomado arquiteto Pedro Mota desenvolver a planta da casa, com duas características bem marcantes: A grande presença de madeira no ambiente e a posição estratégica do estabelecimento em 180 graus, dando um charme especial a casa, que rapidamente teve grande aceitação do público de Boa Viagem, se tornando até um programa dos fins de semana dos jovens do bairro.

ilha4O Ilha Sertaneja é um projeto recente do grupo e foi criado em 2011. O local, que fica situado na Pracinha de Boa Viagem, já havia sido observado anteriormente. Então chegou a informação que a proprietária da casa, já com certa idade, não tinha interesse de alugar o ponto e pretendia montar uma casa de festas no local, aproveitando a proximidade com a Igreja de Boa Viagem. Com o falecimento dela, a casa foi a leilão e acabou sendo adquirida por um companheiro de jogos de futebol de Bill. Sabendo do interesse dele no ponto, o amigo repassou a casa por aluguel, apesar dos inúmeros interessados. Então surgiu a ideia de explorar no local a culinária nordestina, voltada principalmente aos turistas que visitam a pracinha para conhecer a feira de artesanato que funciona próximo ao local. Apesar do pouco tempo de funcionamento da casa, rapidamente ela acabou se estabelecendo e vem tendo uma boa frequência de público.

ilha5

ilha6Mesmo com as dificuldades do mercado de bares e restaurantes, afetado nos últimos tempos com problemas como o fechamento de algumas casas noturnas famosas de Boa Viagem e com o aperto da fiscalização da “Lei Seca” (“A lei é boa, mas tem tido certos exageros. Colocar uma blitz próxima de um bar, como ele vai funcionar?”, questiona Severino), além da redução da frequência de visitantes de bairros afastados da cidade a Zona Sul do Recife, as perspectivas de crescimento do setor são animadoras. Este ano, com a realização da Copa do Mundo e de Eleições, os projetos do Grupo Ilha não estarão voltados à abertura de novas filiais e sim, dar uma prioridade à organização das casas existentes, o que passará por repaginação como, por exemplo, no Ilha da Kosta I, a matriz do grupo. Para 2015 em diante, existem novos planos de ampliação da operação, como a reativação do projeto da filial da Conselheiro Aguiar, que ficou na gaveta após a criação do Ilha dos Navegantes, além da possibilidade da instalação da primeira filial na Zona Norte do Recife. Para manter tudo em ordem nos oito estabelecimentos do grupo é fundamental a participação de pessoas de confiança. No caso do Grupo Ilha a participação da família é uma das chaves do sucesso desde o começo.

ilha7

ilha8Hoje em dia, são os filhos de José Inácio (Renato e Juliana) e Severino (Suelen e Júnior) que estão trabalhando em funções estratégicas no grupo, sobretudo na área administrativa, financeira e de compras. Apesar de alguns desgastes naturais num negócio familiar, não existem grandes dificuldades para lidar com eles. “A divergência (de opiniões) às vezes é benéfica para o negócio, porque chega uma hora que quando você fala com alguém e a pessoa diz: tá certo, tá certo, tá certo… o negócio não anda. Quando alguém pensa diferente, pode surgir uma ideia nova que não estava na cabeça para o negócio”, explica Severino.

E as dicas para essa trajetória vitoriosa de sucesso Bill não esconde: “É buscar fazer o que você gosta e persistir no negócio até dar certo. É como a história do cavalo selado: um dia ele vai passar na sua porta e quando ele passar você tem que estar pronto pra montar. Se você deixar o cavalo passar ele poderá não mais vir mais na sua porta. Pode até passar, mas vai demorar ou nunca mais passará”. E foi persistindo e sabendo a hora certa de montar no cavalo selado que os irmãos Lucena construíram seu caminho até atingir seus objetivos. Para quem está abrindo o seu primeiro negócio Severino também aconselha que estar sempre presente no empreendimento todos os dias, tomando conta de tudo e principalmente ouvindo o cliente é essencial. “Se o cliente reclamou, você precisa responder rápido. Não pode deixar para uma reunião no outro dia, precisa ser agora para que não volte a acontecer de novo”, reforça. Além de prezar pela honestidade, tanto com o cliente como com seus funcionários e fornecedores. Em todos estes anos de estrada, Zé Inácio e Severino sempre defenderam suas origens e mantiveram a mesma humildade e respeito ao público dos tempos em que começaram a trabalhar na capital. Sempre atentos às criticas construtivas, pois estas são essenciais para a melhoria de qualquer serviço. Afinal, Confúncio dizia que “a humildade é a base sólida de todas as virtudes”. Base esta que tem fomentado a trajetória vitoriosa do Grupo Ilha nestes 31 anos de atividades.

ILHA CAMARÕES Nasceu mais uma ilha no Arquipélago, voltada aos adeptos dos frutos do mar. O Ilha Camarões esta situado no mesmo local onde funcionava o Ilha Burger. Com uma ampla varanda em que cabem aproximadamente 170 pessoas e ambiente climatizado, a ilha também tem opções diferenciadas no seu cardápio, como petiscos, sushi, dentre outros pratos. Sua bandeira foi estiada no último dia 09/04 e pretende, a exemplo dos outros empreendimentos do grupo, superar as expectativas.

,

Marina Elali: O talento e suas origens

O talento e suas origens Dona de uma das vozes mais elogiadas da nova MPB, a Diva Pop do Brasil revela os bastidores do elogiado projeto Duetos, em que homenageou Luiz Gonzaga e seu avô Zé Dantas, além de falar sobre sua carreira, seus planos e a sua paixão pelo Recife.

Reunir um time de peso da música nacional para fazer uma grande homenagem a Luiz Gonzaga e Zé Dantas, dois dos nomes mais importantes da música brasileira de todos os tempos e criadores de clássicos do forró, como “O Voo da Asa Branca”, “O Xote das Meninas”, “Cintura Fina”, dentre outros sucessos, seria uma tarefa difícil para qualquer artista. E ainda mais complicado seria dar uma roupagem Pop a estas composições. Porém, foi com muita criatividade, ousadia e sobretudo grande talento que Marina de Sousa Dantas Elali, 32 anos, acabou produzindo um dos grandes projetos da música nacional em 2013. A gravação do CD/DVD “Duetos” marcou, além da concretização de um projeto pessoal, outro sucesso na bem-sucedida carreira da neta de Zé Dantas, apontada dentre as mais talentosas cantoras da MPB na atualidade. Desde pequena, Marina já carregava o gosto pela música, muito influenciada pela obra de seu avô. Começou sua carreira em 2004, participando de um reality show musical na TV Globo e logo depois despontou no cenário musical com o hit “One Last Cry”, tema da novela Páginas da Vida, em 2006. E não parou de fazer sucesso. Já são quatro discos gravados e dois DVDs, com grande aceitação do público e da crítica. Essa simpática voz natalense e com uma enorme identificação com Pernambuco e, em especial, com o Recife, fala nesta entrevista de como foi concretizar a homenagem ao seu avô e a Gonzagão. Mas também da sua carreira e dos projetos para o futuro.

EP – Em 2013, foi lançado o CD/DVD “Marina Elali – Duetos”, com participações de grandes nomes da música brasileira, como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Ivete Sangalo e outros grandes nomes. Nesse DVD, gravado em 2012 no Recife e que teve grande repercussão no Brasil, você deu uma roupagem completamente nova a grandes clássicos do Forró criados por Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Mesmo não sendo uma cantora de forró, como surgiu a ideia de executar esse projeto?

ME – Eu estou muito feliz! Soube pelo pessoal da Som Livre, a gravadora que lançou o DVD, que está entre os mais vendidos do Brasil e, eu acho, não há melhor resposta que a do público. As pessoas gostaram muito. No início, eu até já contei essa história em algumas entrevistas de TV, tentei muito fazer os arranjos de uma forma mais tradicional, mas não tava combinando comigo e nem com a minha voz e ai pedi permissão a minha avó linda, musa inspiradora de Zé Dantas, Iolanda e disse: “Vó, não tá dando certo, acho que vou fazer do meu jeito”. E ela disse: “Minha filha, faça do seu jeito! Você é muito criativa, você também é compositora como seu avô, seu avô ia gostar do que você vai fazer”. E aí eu tomei essa liberdade. Conversei também com Rosinha Gonzaga, que é filha de Gonzagão. E tomei a liberdade de fazer um projeto totalmente diferente, da minha forma. E acho que na verdade até o mais bacana desse projeto foi isso, que a gente conseguiu alcançar nosso objetivo, que é levar a musica de Gonzaga pra outros públicos e pra outras gerações. Recentemente, a gente fez “Vem morena” com um arranjo completamente diferente. Já vi muitas crianças cantando, recebi vídeos de crianças.Talvez são pessoas que não iriam se interessar tanto pela música de Gonzagão e agora vão se interessar… Porque está de uma forma nova, diferente. E quando a gente gravou fazia 50 anos da morte do meu avô. Muito tempo já passou. Precisava mesmo alguém ter essa ousadia, essa coragem de fazer um pouco diferente. E eu fiz. Fiquei super satisfeita com o trabalho. Estou muito realizada, muito feliz. Muito orgulho de ter esse projeto, que era um sonho muito antigo, um sonho de criança. Porque na minha infância eu já entendi a importância do meu avô Zé Dantas dentro da música brasileira e entendi essa amizade bonita que existia entre ele e Gonzagão, essa parceria bonita… E eu sonhava muito de poder parar tudo e fazer uma homenagem a ele. E graças a Deus e a muitas pessoas que se envolveram no projeto, que ajudaram de forma muito positiva, a gente conseguiu realizar essa superprodução, que aconteceu no Recife. E eu acho que não tinha lugar melhor no mundo pra criar esse DVD do que Recife! Porque tem tudo a ver, os dois são pernambucanos, o público conhece tudo, eu também recebi o título de Cidadã do Recife e fui receber de coração… Amo o Sport, passei muitos momentos felizes da minha vida em Recife, de infância e adolescente. Enfim, tou muito feliz, muito realizada… As coisas fluíram da melhor forma possível… Acho que, no fundo, no fundo Gonzagão e meu avô estavam me iluminando o tempo inteiro neste projeto. Um projeto feito com muita fé, com muito entusiasmo, com muita paixão mesmo a música deles dois.

EP – Você temeu críticas dos mais tradicionalistas por ter dado ao forró de Gonzagão, tão marcado pelo estilo “pé de serra” e regional, uma cara tão “pop” no DVD?

ME – Olha, no início eu tive medo porque sabia que tava trabalhando com um repertório muito tradicional. Mas eu sou artista no real sentido da palavra. Eu sou uma pessoa livre, ousada, como eu acho que todo artista verdadeiro tem que ser. E ai eu pegar uma música e simplesmente copiar um arranjo que Gonzagão fez 50 anos atrás, artisticamente isso não tem tanto valor. Então utilizei mesmo da minha criatividade e fiquei muito feliz. E depois que eu criei coragem de fazer um trabalho diferente com essas músicas, aí não liguei mais não, porque eu acho que o artista tem que seguir a intuição dele e fazer o trabalho com amor. E se importar com quem vai gostar. Sempre vai ter alguma pessoa que não vai gostar, algum crítico que vai falar que não gostou… Mas eu acho que é importante o artista fazer a verdade dele. E eu segui a minha intuição o tempo inteiro no projeto, com verdade, paixão, com muito respeito à música deles dois e o resultado tá aí. Tá vendendo, tá fazendo sucesso, foi o especial ao ar na Globo Nordeste. E em outras emissoras da Globo também eles transmitiram o especial. Tive a presença dos maiores artistas deste Brasil, um time maravilhoso. Então, quem não gostar… (risos).

EP – Quais as influências musicais que o seu avô, Zé Dantas, trouxe na sua carreira?

ME – Ah, foi muito grande! Cresci ouvindo as músicas dele, de Gonzagão… Na escola, quando chegava a época de São João, ia dançar quadrilha e tocavam as músicas deles e de Gonzagão… Eu comecei a cantar no coral da escola quando tinha sete anos e aí já cantava músicas de meu avô neste coral. Ele me influenciou muito! E o interessante é que eu descobri na minha adolescência que eu também sou compositora, não sabia até então que eu tinha este dom. Acho que foi influência dele, veio no sangue mesmo. E eu tenho muito orgulho, desde novinha quando comecei a fazer shows, sempre quis fazer homenagens a ele, sempre gravei música do meu avô. E sempre do meu jeito, fazendo uma homenagem mesmo. Até porque meu avô fazia determinado estilo, eu faço outro… Cada pessoa de um jeito, mas ele me influenciou muito. É uma pena que eu não tenha conhecido ele, queria muito ter conhecido meu avô. Mas de alguma forma a gente tá ligado. Porque é muito forte, esse projeto todo não tive dificuldade, as coisas aconteciam… Davam alguns problemas assim, durante o processo. Na gravação foi tudo perfeito. Tinha uma força lá de dentro… Que me fazia continuar, seguir em frente. Não sei… Tem uma ligação espiritual com meu avô aí, além de toda influência que eu tenho da música dele. E o que eu mais aprendi com a obra dele é que a boa música nunca morre! E meu avô me ensinou isso, mesmo ele não estando aqui. Porque você pega uma música como “Xote das Meninas”, que vai ser um clássico da música brasileira pra sempre. Tem uma letra boa, uma música que tem um ritmo bom, tem um refrão bonito e uma letra inteligente. Onde ele mistura; tem o lado da menina, com a medicina, que era outra paixão dele e ele coloca a música com a medicina, as duas paixões juntas ali, ele era médico… Então, é encantador, sabe? Procuro seguir esse exemplo dele, sempre pensando que a boa música não morre e que vale a pena a gente sempre fazer o melhor possível… Pela arte!

EP – A música brasileira sofreu uma grande perda com a morte de Dominguinhos. O que você pode falar sobre ele?

ME – No dia que fiquei sabendo fiquei muito triste… Profundamente triste. Porque eu conheci Dominguinhos há 15 anos e a gente se tornou amigo. Dominguinhos participou do meu primeiro disco, do segundo e do primeiro DVD. E o único projeto que ele não participou foi esse DVD agora. Eu o convidei e ele falou que na data não ia ter como, pois estava em São Paulo e não ia conseguir chegar ao Recife. E eu falei pra ele que a gente ia fazer um vídeo, alguma coisa que ele não iria ficar de fora desse projeto. Ele era um homem incrível, todo mundo que teve a oportunidade de conhecer sabe que ele foi um grande homem, uma pessoa muito calma, que transmitia uma paz muito grande. Um grande artista, um grande músico, uma pessoa do bem, querida… Aquela pessoa que a gente ficava feliz de encontrar… E sempre me ajudou, sempre cantei com ele, sempre tocou comigo. Um grande amigo e uma perda muito grande para nossa música. Agora o bom é que ele deixou uma história bonita, deixou uma filha também que é artista. E o interessante é isso: o artista vai, mas a arte que ele deixou fica. E tenho certeza que Dominguinhos cumpriu a missão dele. Deixou muitas coisas bonitas pra gente. Músicas bonitas, mensagens de vida… Um homem muito bom. Um amigo muito querido.

“Procuro seguir esse exemplo dele (Zé Dantas), sempre pensando que a boa música não morre e que vale a pena a gente sempre fazer o melhor possível… Pela arte!”

EP – O cover de “One Last Cry” de Brian Mcknight (2006), que virou tema da novela Páginas da Vida, até hoje é lembrado como o sucesso que a lançou musicalmente pro Brasil, embora você já tivesse tido música na novela América e uma experiência como semifinalista do programa“Fama” da Rede Globo em 2004. O que mudou musicalmente na Marina Elali daquela época para cá?

ME – Ah, muita coisa! Quando eu comecei era uma menina… Agora sou mulher! (risos). Se bem que… No fundo, no fundo eu tenho uma alma de criança, tenho jeito de criança… Acho que vou ser sempre uma menina. Mas muita coisa mudou. Eu amadureci muito como pessoa, artisticamente também. Eu sou apaixonada por aquela gravação, canto aquela música em todos os meus shows… Foi a música que me colocou mesmo no cenário da música brasileira, inclusive internacional, tocou muito na Europa, nos Estados Unidos… Vários DJs chegaram a fazer versões “remix” dessa música, que foi lançada nos Estados Unidos e na Europa. Então foi uma experiência incrível. Graças a essa música ganhei meu primeiro Disco de Ouro, fui no Faustão pela primeira vez… Foi quando as portas se abriram. Foi uma fase maravilhosa, sou muito grata a todo mundo que me ajudou, fico muito feliz com as coisas que ela me proporcionou. Fui lançar meu disco em Portugal… Foi muito bacana. Depois veio isso normal, o amadurecimento artístico, pessoal, que acontece com o tempo mesmo. E bacana ter falado sobre isso porque quando eu sonhava em fazer um disco em homenagem a meu avô e a Gonzagão eu sempre pensava: “Meu Deus, eu não canto forró. Como é que eu vou fazer esse projeto? Eu quero fazer uma homenagem para os dois”. E aconteceu na hora certa, sabe? Coincidiu com o momento do Centenário (de nascimento de Luiz Gonzaga) e num momento meu muito mais maduro como artista, como mulher… Então foi bacana, porque tive essa coragem de fazer um projeto ousado, um projeto diferente, mas respeitando as tradições. Aconteceu num momento certo.

EP – Ter sido aluna da Berklee College of Music, uma das mais conceituadas escolas de música do mundo, foi uma vantagem para você na época do programa?

ME – Na verdade o que aconteceu foi o seguinte: Eu tinha desde criança uma vontade de morar fora do Brasil. Para aprender uma outra língua, pra ter a experiência de viver numa cultura completamente diferente da minha. Aí eu fui para Berklee e eu ia ficar só um tempo pra fazer um período, aprender alguma coisa, um pouco de inglês… Quando eu cheguei lá, comecei a aprender tanto, tão rapidamente absorver a cultura, a música, aprender a cantar melhor, a tocar. Foi quando descobri que era compositora. Foi uma explosão de conhecimento, de mudanças. Aí resolvi ficar e cheguei a concluir a faculdade. Hoje sou formada em música, em canto. E isso pra minha vida artística foi maravilhoso, pra minha vida pessoal também, pela experiência, porque eu tinha 17 anos quando fui morar sozinha nos Estados Unidos, não conhecia ninguém, não falava inglês, era uma menina mesmo… Foi muito bacana e me ajuda até hoje na minha vida. Pelo conhecimento musical e pela experiência mesmo. Por exemplo, quando eu entrei no “Fama” era um reality show, meio BBB. E eu fiquei naquela mesma casa, com câmera, com tudo. Só que na faculdade eu já tinha dividido quarto, apartamento… E isso aconteceu no “Fama”. A gente dividia quarto com os outros participantes. E eu não tive dificuldade nenhuma em relação a isso, porque já tive essa experiência. Já tinha conhecimento bastante pra ter coragem e cantar na televisão ao vivo, na frente de todo mundo. Foi muito bacana. Em relação ao programa, eu tive muito medo de entrar no início. Porque quando eu entrei já tava com o disco quase pronto. E já tinha um contato na Som Livre, o contrato quase assinado. Aí deixei tudo e fui pro programa e graças a Deus foi uma experiência muito positiva. Porque a gente sabe que é muito arriscado participar de um reality. No meu caso só me trouxe coisas boas. Tenho fãs até hoje que me seguem desde a época do programa, que torciam por mim… Foi uma experiência maravilhosa. E com certeza a experiência que eu tinha de fazer shows em Natal, já ter feito uma faculdade de música… Eu estava mais preparada. Se bem que eu não tinha experiência nenhuma com televisão ao vivo, muito menos na Globo nacional. Me dava um nervoso! Eu lembro que no primeiro programa, meu Deus! O olho arregalava, a mão tremendo… Mas depois me acostumei, foi muito bom e foi o que eu mais aprendi. Hoje em dia eu e a câmera, a gente se entende super bem! (risos)

EP – Ainda falando do “Fama”, hoje muitos programas dessa linha fazem sucesso no Brasil e no mundo. Qual o conselho que você daria para alguém que um dia deseje participar de um programa nesse estilo?

ME – Eu acho que quem tem vontade de ingressar no mundo musical, acho que é uma grande oportunidade de mostrar o trabalho. Estes programas são muito bacanas. Fiquei de jurada no programa do Raul Gil por um tempo, no quadro “Mulheres que Brilham”. Fiquei quatro meses e foi uma experiência ótima estar do outro lado, como jurada. Acho super importante, incentivo muito as pessoas que elas participem. Acho bacana que no Brasil tenha cada vez mais programas de talentos, porque muita gente é descoberta nestes programas. É uma forma de você divulgar o talento, divulgar o trabalho daquela pessoa. Acho que é super válido participar destes programas. Participar de forma sadia, sem muita competição. Vai ali e mostra o que é seu trabalho e pronto. Até porque ganhar ou não ganhar nunca foi a coisa mais importante. O principal de um programa de música é você mostrar o trabalho pro Brasil todo. Ganhar ou não ganhar, a gente sabe que isso aí não muda nada.Eu tou aí graças a Deus, gente também que fez sucesso e não ganhou, que foi pro paredão, enfim…

EP – Fora dos palcos, o que você não abre mão de ouvir? Quais são seus ídolos na música?

ME – Pra ouvir eu sou muito eclética, porque eu nasci no Nordeste, moro no Rio de Janeiro… Meu pai é estrangeiro, é árabe. Eu morei fora um tempo, meu namorado é gringo (risos)… Na época que eu estudei na faculdade, tinha amigos de todos os lugares que você possa imaginar. Do Japão a Colômbia. Então eu sou muito eclética. Gosto de música boa. Sempre gostei muito de música clássica. Adoro musica Pop internacional. Adoro ouvir tudo. Escuto forró, MPB, escuto Pop. Acho que cada música tem o seu momento. Agora eu estou numa fase de ouvir mais as minhas próprias músicas, porque estou me programando pra gravar meu próximo disco de estúdio, que vai ser bem autoral. Eu estou numa fase bem “Marina Elali”, porque estou ouvindo as minhas próprias composições! (risos).

EP – Hoje os artistas, com o advento das redes sociais e da internet, são cobrados a ter uma interação maior com seu público e, consequentemente, ficam mais expostos às criticas do seu trabalho. Como você lida com isso?

ME – Eu acho maravilhoso. Porque é uma forma de me comunicar diretamente com meus fãs em tempo real. Eu gosto. Tenho todas as redes sociais. Eu acho que é interessante e você dar o limite. Você posta o que você quiser. Você responde a quem você quer, você escreve o que você quer. Acho que vai de cada um. E acho que também é importante saber que tem gente que não tem respeito. Não preciso dar cabimento a quem não tem. Eu respeito cada um, aí vai de cada um mesmo. Graças a Deus em relação a isso o que eu mais recebo é carinho mesmo dessas pessoas. Por isso que eu gosto e é uma coisa que eu faço. Eu posto direto fotos. Acho bacana porque nunca houve nada sério em relação às minhas redes, de desrespeito… Sempre que escrevem é uma coisa carinhosa. Continua positivo. Se algum momento me incomodar eu acabo com isso e não faço mais. Mas nunca aconteceu não.

“O trabalho que eu me proponho a fazer, que é um trabalho mais Pop, ele exige que eu cante, que eu dance, que eu interprete, que eu troque de roupa… É quase uma atriz em cima do palco, né? Eu mudo de personagem no show várias vezes. Tem a hora da poderosa e a da sofrida.”

EP – Como uma cantora que trabalha com uma faixa etária de público jovem, como você viu a participação dos jovens nos protestos sociais no Brasil? Você se engajaria em alguma manifestação?

ME – Olha, eu acho que é importante, porque a gente não pode ser hipócrita. A gente sabe que a situação do nosso país é lamentável. Em relação a vários assuntos, que a gente não precisa ficar entrando aqui. Como educação, saúde… enfim. Eu acho que é valido sim a gente fazer manifestação, tem muita gente, até muito mais jovem do que eu, que se engajou, que foi pra rua… Eu sou muito contra o vandalismo, porque muitos protestos se transformaram em outra coisa. Acho que não adianta nada o vandalismo, porque a gente tá perdendo a razão quando tá fazendo isso. Violência, vandalismo não leva a nada. Os jovens acordaram e disseram: “Peraí, a gente quer um país melhor!”. Eu acho bacana. Sem vandalismo eu acho bacana. Acho que tem que ser ouvido, a gente tem que reclamar mesmo. Porque a gente merece ter num país melhor. A gente mora num país muito rico culturalmente, cheio de matéria-prima maravilhosa… Um clima maravilhoso, um povo muito feliz, trabalhador. Acho que a gente tem que reclamar mesmo e tentar melhorar cada vez mais o nosso Brasil.

EP – Além do talento reconhecido como cantora, você também é muito lembrada pela beleza. Existe algum cuidado especial com sua forma que você não abre mão de ter no dia a dia?

ME – Eu tenho vários cuidados, mas coloco em primeiro lugar a minha saúde. Acho que depois o resto é consequência. Você se alimenta bem vai ficar com o corpo bonito, pele bonita, cabelo bonito… Vai ficar feliz com a saúde mental. A gente colocando a saúde em primeiro lugar o resto é consequência. Pelos cuidados que tenho com a voz, já me ajudam muito. Por exemplo, eu não bebo, eu não fumo… Não vou muito pra noitada, não como muita coisa que faz mal pra saúde, termina que também não engorda… Mas eu boto a saúde na frente. E claro que eu confesso que eu sou vaidosa. Eu sou apaixonada por maquiagem… Sou aquela mulher vaidosa. Mas com limites também, sabe? Acho que hoje em dia tem muitas mulheres que sofrem muito pela beleza e em busca de uma perfeição que não existe. Acho que a gente tem que se cobrar menos, pra gente ser mais feliz. É a gente saber valorizar os pontos fortes. Se eu tenho o olho que é mais bonito, vamos valorizar. Se é o cabelo… Cada mulher tem que encontrar seu ponto forte. E valorizar isso e ficar feliz, agradecer a Deus, tem que comer bem, fazer um exerciciozinho, pra ficar com um corpo bonito, ficar feliz. Mas sem neuras, sem exageros, sem sofrimentos. Nada de dietas malucas.

EP – Em termos de futuro, quais são os projetos profissionais de Marina Elali?

ME – Olha, lancei o DVD, passamos pelo processo todo de divulgação, a gente tá fazendo muita TV, rádio, shows, sessões de autógrafos… Agora tou organizando minhas composições, tou compondo bastante para muito breve entrar em estúdio e finalizar um disco de estúdio, que já não lanço faz um tempinho. Esse disco comecei a produzir em Miami e já tou com várias músicas pré-produzidas, quase prontas. E na hora que eu tiver pronta pra lançar, acho que este ano devo estar com um disco novo nas lojas, aí vai ser um disco inédito, super autoral e é um disco que vem bem Pop, seguindo essa linha que eu gosto, do Pop, com influências internacionais… Essa coisa bem viva que é a minha marquinha registrada (risos).

EP – Voltar à carreira de atriz está ainda em seus planos ou é um projeto definitivamente descartado?

ME – Olha, na verdade eu fiz teatro na minha adolescência e gostava do teatro. Mas a música sempre foi a minha grande paixão. Eu fiz uma participação na Globo, numa minissérie, me convidaram, foi bacana e tudo. Mas, assim, se me convidarem pra fazer alguma coisa, claro que vou pensar com carinho, vou ver se eu tenho condições de fazer, se o papel combina comigo. Mas eu não tenho nenhuma pretensão de ser atriz ou me tornar atriz. A carreira de cantora já me consome e já me faz muito feliz! (risos). Até porque o trabalho que eu me proponho a fazer, que é um trabalho mais Pop, ele exige que eu cante, que eu dance, que eu interprete, que eu troque de roupa… É quase uma atriz em cima do palco, né? Eu mudo de personagem no show várias vezes. Tem a hora da poderosa e a da sofrida (risos). Então eu já me realizo muito no palco.

EP – Conte um pouco sobre suas origens árabes. O que a influencia no dia a dia? ME – O meu pai nasceu na Palestina, veio pro Brasil. Inclusive ele veio pra Recife direto. Ele tinha 13 anos. Conheceu minha mãe que morava em Recife e casaram. Quase nasci em Recife! E aí quando eles foram morar em Natal, eu nasci em Natal. Mas, assim, guardo muita coisa da cultura… Tenho muitos traços árabes, apesar da minha mãe ser brasileira. Acho que meu rosto é mais árabe que tudo. Eu adoro maquiagem, que é outra marca registrada. A coisa do cabelo preto que eu uso até hoje, o cabelo mesmo de árabe, né? Essa coisa do cabelão, do olhão preto, isso é muito árabe. Eu gosto muito de brilho, que também árabe gosta muito de brilho,eu uso muito no palco. E sou apaixonada pela dança do ventre, que eu danço nos meus shows também. Sou apaixonada pela dança e pela música árabe. Sempre nos meus trabalhos coloco alguma influência. Engraçado que neste projeto em homenagem a Gonzagão e meu avô eu coloco algumas coisinhas ali da dança árabe, da música árabe também. Amo a comida, gosto da música, gosto de tudo! Não tem como não gostar. 50% de mim é árabe.

EP – Você atualmente mora no Rio de Janeiro, mas é potiguar e com raízes também pernambucanas. Qual a relação de Marina Elali com Pernambuco?

ME – Moro no Rio já faz 10 anos. Depois que me formei na faculdade vim morar no Rio de Janeiro. E eu sou apaixonada pelo Nordeste, que é meu lugar e apaixonada por Pernambuco. Fui muito a Recife quando era criança, adolescente… Vou até hoje porque minha avó mora lá. Minha tia que já faleceu era de lá, então ia visitar meus primos. Sempre fui ver minhas tias, as irmãs da minha avó, todo mundo… E minha vida foi muito dividida entre Natal e Recife, porque a gente ia quase todo final de semana para Recife. Até eu brinco que quando eu era criança, não tinha nem shopping em Natal, então eu ia pro shopping de Recife fazer compras (risos). Eu adoro, tenho uma paixão muito grande. E uma das maiores emoções da minha vida foi receber o título de “Cidadã do Recife”, porque sempre tive uma paixão muito grande… eu queria ser recifense, e agora eu sou! (risos). A família toda com aquela paixão pelo Sport, meu pai torce pro Sport, eu também torço pro Sport.

EP – Defina “Marina Elali por Marina Elali”?

ME – Uma pessoa apaixonada pela vida, que vive intensamente cada momento com muita alegria. Com muita fé, muito determinada, que valoriza as coisas simples da vida… A família, a natureza e os momentos. Eu gosto de ser feliz, eu procuro ser feliz. Eu amo o que eu faço. Só quero plantar o bem nesse mundo, pra quando eu for embora saber que eu fiz o melhor que eu pude aqui. E que eu fiz o melhor trabalho como artista também, que eu deixei alguma coisa boa nesse mundo.