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Marina Elali: O talento e suas origens

O talento e suas origens Dona de uma das vozes mais elogiadas da nova MPB, a Diva Pop do Brasil revela os bastidores do elogiado projeto Duetos, em que homenageou Luiz Gonzaga e seu avô Zé Dantas, além de falar sobre sua carreira, seus planos e a sua paixão pelo Recife.

Reunir um time de peso da música nacional para fazer uma grande homenagem a Luiz Gonzaga e Zé Dantas, dois dos nomes mais importantes da música brasileira de todos os tempos e criadores de clássicos do forró, como “O Voo da Asa Branca”, “O Xote das Meninas”, “Cintura Fina”, dentre outros sucessos, seria uma tarefa difícil para qualquer artista. E ainda mais complicado seria dar uma roupagem Pop a estas composições. Porém, foi com muita criatividade, ousadia e sobretudo grande talento que Marina de Sousa Dantas Elali, 32 anos, acabou produzindo um dos grandes projetos da música nacional em 2013. A gravação do CD/DVD “Duetos” marcou, além da concretização de um projeto pessoal, outro sucesso na bem-sucedida carreira da neta de Zé Dantas, apontada dentre as mais talentosas cantoras da MPB na atualidade. Desde pequena, Marina já carregava o gosto pela música, muito influenciada pela obra de seu avô. Começou sua carreira em 2004, participando de um reality show musical na TV Globo e logo depois despontou no cenário musical com o hit “One Last Cry”, tema da novela Páginas da Vida, em 2006. E não parou de fazer sucesso. Já são quatro discos gravados e dois DVDs, com grande aceitação do público e da crítica. Essa simpática voz natalense e com uma enorme identificação com Pernambuco e, em especial, com o Recife, fala nesta entrevista de como foi concretizar a homenagem ao seu avô e a Gonzagão. Mas também da sua carreira e dos projetos para o futuro.

EP – Em 2013, foi lançado o CD/DVD “Marina Elali – Duetos”, com participações de grandes nomes da música brasileira, como Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil, Ivete Sangalo e outros grandes nomes. Nesse DVD, gravado em 2012 no Recife e que teve grande repercussão no Brasil, você deu uma roupagem completamente nova a grandes clássicos do Forró criados por Luiz Gonzaga e Zé Dantas. Mesmo não sendo uma cantora de forró, como surgiu a ideia de executar esse projeto?

ME – Eu estou muito feliz! Soube pelo pessoal da Som Livre, a gravadora que lançou o DVD, que está entre os mais vendidos do Brasil e, eu acho, não há melhor resposta que a do público. As pessoas gostaram muito. No início, eu até já contei essa história em algumas entrevistas de TV, tentei muito fazer os arranjos de uma forma mais tradicional, mas não tava combinando comigo e nem com a minha voz e ai pedi permissão a minha avó linda, musa inspiradora de Zé Dantas, Iolanda e disse: “Vó, não tá dando certo, acho que vou fazer do meu jeito”. E ela disse: “Minha filha, faça do seu jeito! Você é muito criativa, você também é compositora como seu avô, seu avô ia gostar do que você vai fazer”. E aí eu tomei essa liberdade. Conversei também com Rosinha Gonzaga, que é filha de Gonzagão. E tomei a liberdade de fazer um projeto totalmente diferente, da minha forma. E acho que na verdade até o mais bacana desse projeto foi isso, que a gente conseguiu alcançar nosso objetivo, que é levar a musica de Gonzaga pra outros públicos e pra outras gerações. Recentemente, a gente fez “Vem morena” com um arranjo completamente diferente. Já vi muitas crianças cantando, recebi vídeos de crianças.Talvez são pessoas que não iriam se interessar tanto pela música de Gonzagão e agora vão se interessar… Porque está de uma forma nova, diferente. E quando a gente gravou fazia 50 anos da morte do meu avô. Muito tempo já passou. Precisava mesmo alguém ter essa ousadia, essa coragem de fazer um pouco diferente. E eu fiz. Fiquei super satisfeita com o trabalho. Estou muito realizada, muito feliz. Muito orgulho de ter esse projeto, que era um sonho muito antigo, um sonho de criança. Porque na minha infância eu já entendi a importância do meu avô Zé Dantas dentro da música brasileira e entendi essa amizade bonita que existia entre ele e Gonzagão, essa parceria bonita… E eu sonhava muito de poder parar tudo e fazer uma homenagem a ele. E graças a Deus e a muitas pessoas que se envolveram no projeto, que ajudaram de forma muito positiva, a gente conseguiu realizar essa superprodução, que aconteceu no Recife. E eu acho que não tinha lugar melhor no mundo pra criar esse DVD do que Recife! Porque tem tudo a ver, os dois são pernambucanos, o público conhece tudo, eu também recebi o título de Cidadã do Recife e fui receber de coração… Amo o Sport, passei muitos momentos felizes da minha vida em Recife, de infância e adolescente. Enfim, tou muito feliz, muito realizada… As coisas fluíram da melhor forma possível… Acho que, no fundo, no fundo Gonzagão e meu avô estavam me iluminando o tempo inteiro neste projeto. Um projeto feito com muita fé, com muito entusiasmo, com muita paixão mesmo a música deles dois.

EP – Você temeu críticas dos mais tradicionalistas por ter dado ao forró de Gonzagão, tão marcado pelo estilo “pé de serra” e regional, uma cara tão “pop” no DVD?

ME – Olha, no início eu tive medo porque sabia que tava trabalhando com um repertório muito tradicional. Mas eu sou artista no real sentido da palavra. Eu sou uma pessoa livre, ousada, como eu acho que todo artista verdadeiro tem que ser. E ai eu pegar uma música e simplesmente copiar um arranjo que Gonzagão fez 50 anos atrás, artisticamente isso não tem tanto valor. Então utilizei mesmo da minha criatividade e fiquei muito feliz. E depois que eu criei coragem de fazer um trabalho diferente com essas músicas, aí não liguei mais não, porque eu acho que o artista tem que seguir a intuição dele e fazer o trabalho com amor. E se importar com quem vai gostar. Sempre vai ter alguma pessoa que não vai gostar, algum crítico que vai falar que não gostou… Mas eu acho que é importante o artista fazer a verdade dele. E eu segui a minha intuição o tempo inteiro no projeto, com verdade, paixão, com muito respeito à música deles dois e o resultado tá aí. Tá vendendo, tá fazendo sucesso, foi o especial ao ar na Globo Nordeste. E em outras emissoras da Globo também eles transmitiram o especial. Tive a presença dos maiores artistas deste Brasil, um time maravilhoso. Então, quem não gostar… (risos).

EP – Quais as influências musicais que o seu avô, Zé Dantas, trouxe na sua carreira?

ME – Ah, foi muito grande! Cresci ouvindo as músicas dele, de Gonzagão… Na escola, quando chegava a época de São João, ia dançar quadrilha e tocavam as músicas deles e de Gonzagão… Eu comecei a cantar no coral da escola quando tinha sete anos e aí já cantava músicas de meu avô neste coral. Ele me influenciou muito! E o interessante é que eu descobri na minha adolescência que eu também sou compositora, não sabia até então que eu tinha este dom. Acho que foi influência dele, veio no sangue mesmo. E eu tenho muito orgulho, desde novinha quando comecei a fazer shows, sempre quis fazer homenagens a ele, sempre gravei música do meu avô. E sempre do meu jeito, fazendo uma homenagem mesmo. Até porque meu avô fazia determinado estilo, eu faço outro… Cada pessoa de um jeito, mas ele me influenciou muito. É uma pena que eu não tenha conhecido ele, queria muito ter conhecido meu avô. Mas de alguma forma a gente tá ligado. Porque é muito forte, esse projeto todo não tive dificuldade, as coisas aconteciam… Davam alguns problemas assim, durante o processo. Na gravação foi tudo perfeito. Tinha uma força lá de dentro… Que me fazia continuar, seguir em frente. Não sei… Tem uma ligação espiritual com meu avô aí, além de toda influência que eu tenho da música dele. E o que eu mais aprendi com a obra dele é que a boa música nunca morre! E meu avô me ensinou isso, mesmo ele não estando aqui. Porque você pega uma música como “Xote das Meninas”, que vai ser um clássico da música brasileira pra sempre. Tem uma letra boa, uma música que tem um ritmo bom, tem um refrão bonito e uma letra inteligente. Onde ele mistura; tem o lado da menina, com a medicina, que era outra paixão dele e ele coloca a música com a medicina, as duas paixões juntas ali, ele era médico… Então, é encantador, sabe? Procuro seguir esse exemplo dele, sempre pensando que a boa música não morre e que vale a pena a gente sempre fazer o melhor possível… Pela arte!

EP – A música brasileira sofreu uma grande perda com a morte de Dominguinhos. O que você pode falar sobre ele?

ME – No dia que fiquei sabendo fiquei muito triste… Profundamente triste. Porque eu conheci Dominguinhos há 15 anos e a gente se tornou amigo. Dominguinhos participou do meu primeiro disco, do segundo e do primeiro DVD. E o único projeto que ele não participou foi esse DVD agora. Eu o convidei e ele falou que na data não ia ter como, pois estava em São Paulo e não ia conseguir chegar ao Recife. E eu falei pra ele que a gente ia fazer um vídeo, alguma coisa que ele não iria ficar de fora desse projeto. Ele era um homem incrível, todo mundo que teve a oportunidade de conhecer sabe que ele foi um grande homem, uma pessoa muito calma, que transmitia uma paz muito grande. Um grande artista, um grande músico, uma pessoa do bem, querida… Aquela pessoa que a gente ficava feliz de encontrar… E sempre me ajudou, sempre cantei com ele, sempre tocou comigo. Um grande amigo e uma perda muito grande para nossa música. Agora o bom é que ele deixou uma história bonita, deixou uma filha também que é artista. E o interessante é isso: o artista vai, mas a arte que ele deixou fica. E tenho certeza que Dominguinhos cumpriu a missão dele. Deixou muitas coisas bonitas pra gente. Músicas bonitas, mensagens de vida… Um homem muito bom. Um amigo muito querido.

“Procuro seguir esse exemplo dele (Zé Dantas), sempre pensando que a boa música não morre e que vale a pena a gente sempre fazer o melhor possível… Pela arte!”

EP – O cover de “One Last Cry” de Brian Mcknight (2006), que virou tema da novela Páginas da Vida, até hoje é lembrado como o sucesso que a lançou musicalmente pro Brasil, embora você já tivesse tido música na novela América e uma experiência como semifinalista do programa“Fama” da Rede Globo em 2004. O que mudou musicalmente na Marina Elali daquela época para cá?

ME – Ah, muita coisa! Quando eu comecei era uma menina… Agora sou mulher! (risos). Se bem que… No fundo, no fundo eu tenho uma alma de criança, tenho jeito de criança… Acho que vou ser sempre uma menina. Mas muita coisa mudou. Eu amadureci muito como pessoa, artisticamente também. Eu sou apaixonada por aquela gravação, canto aquela música em todos os meus shows… Foi a música que me colocou mesmo no cenário da música brasileira, inclusive internacional, tocou muito na Europa, nos Estados Unidos… Vários DJs chegaram a fazer versões “remix” dessa música, que foi lançada nos Estados Unidos e na Europa. Então foi uma experiência incrível. Graças a essa música ganhei meu primeiro Disco de Ouro, fui no Faustão pela primeira vez… Foi quando as portas se abriram. Foi uma fase maravilhosa, sou muito grata a todo mundo que me ajudou, fico muito feliz com as coisas que ela me proporcionou. Fui lançar meu disco em Portugal… Foi muito bacana. Depois veio isso normal, o amadurecimento artístico, pessoal, que acontece com o tempo mesmo. E bacana ter falado sobre isso porque quando eu sonhava em fazer um disco em homenagem a meu avô e a Gonzagão eu sempre pensava: “Meu Deus, eu não canto forró. Como é que eu vou fazer esse projeto? Eu quero fazer uma homenagem para os dois”. E aconteceu na hora certa, sabe? Coincidiu com o momento do Centenário (de nascimento de Luiz Gonzaga) e num momento meu muito mais maduro como artista, como mulher… Então foi bacana, porque tive essa coragem de fazer um projeto ousado, um projeto diferente, mas respeitando as tradições. Aconteceu num momento certo.

EP – Ter sido aluna da Berklee College of Music, uma das mais conceituadas escolas de música do mundo, foi uma vantagem para você na época do programa?

ME – Na verdade o que aconteceu foi o seguinte: Eu tinha desde criança uma vontade de morar fora do Brasil. Para aprender uma outra língua, pra ter a experiência de viver numa cultura completamente diferente da minha. Aí eu fui para Berklee e eu ia ficar só um tempo pra fazer um período, aprender alguma coisa, um pouco de inglês… Quando eu cheguei lá, comecei a aprender tanto, tão rapidamente absorver a cultura, a música, aprender a cantar melhor, a tocar. Foi quando descobri que era compositora. Foi uma explosão de conhecimento, de mudanças. Aí resolvi ficar e cheguei a concluir a faculdade. Hoje sou formada em música, em canto. E isso pra minha vida artística foi maravilhoso, pra minha vida pessoal também, pela experiência, porque eu tinha 17 anos quando fui morar sozinha nos Estados Unidos, não conhecia ninguém, não falava inglês, era uma menina mesmo… Foi muito bacana e me ajuda até hoje na minha vida. Pelo conhecimento musical e pela experiência mesmo. Por exemplo, quando eu entrei no “Fama” era um reality show, meio BBB. E eu fiquei naquela mesma casa, com câmera, com tudo. Só que na faculdade eu já tinha dividido quarto, apartamento… E isso aconteceu no “Fama”. A gente dividia quarto com os outros participantes. E eu não tive dificuldade nenhuma em relação a isso, porque já tive essa experiência. Já tinha conhecimento bastante pra ter coragem e cantar na televisão ao vivo, na frente de todo mundo. Foi muito bacana. Em relação ao programa, eu tive muito medo de entrar no início. Porque quando eu entrei já tava com o disco quase pronto. E já tinha um contato na Som Livre, o contrato quase assinado. Aí deixei tudo e fui pro programa e graças a Deus foi uma experiência muito positiva. Porque a gente sabe que é muito arriscado participar de um reality. No meu caso só me trouxe coisas boas. Tenho fãs até hoje que me seguem desde a época do programa, que torciam por mim… Foi uma experiência maravilhosa. E com certeza a experiência que eu tinha de fazer shows em Natal, já ter feito uma faculdade de música… Eu estava mais preparada. Se bem que eu não tinha experiência nenhuma com televisão ao vivo, muito menos na Globo nacional. Me dava um nervoso! Eu lembro que no primeiro programa, meu Deus! O olho arregalava, a mão tremendo… Mas depois me acostumei, foi muito bom e foi o que eu mais aprendi. Hoje em dia eu e a câmera, a gente se entende super bem! (risos)

EP – Ainda falando do “Fama”, hoje muitos programas dessa linha fazem sucesso no Brasil e no mundo. Qual o conselho que você daria para alguém que um dia deseje participar de um programa nesse estilo?

ME – Eu acho que quem tem vontade de ingressar no mundo musical, acho que é uma grande oportunidade de mostrar o trabalho. Estes programas são muito bacanas. Fiquei de jurada no programa do Raul Gil por um tempo, no quadro “Mulheres que Brilham”. Fiquei quatro meses e foi uma experiência ótima estar do outro lado, como jurada. Acho super importante, incentivo muito as pessoas que elas participem. Acho bacana que no Brasil tenha cada vez mais programas de talentos, porque muita gente é descoberta nestes programas. É uma forma de você divulgar o talento, divulgar o trabalho daquela pessoa. Acho que é super válido participar destes programas. Participar de forma sadia, sem muita competição. Vai ali e mostra o que é seu trabalho e pronto. Até porque ganhar ou não ganhar nunca foi a coisa mais importante. O principal de um programa de música é você mostrar o trabalho pro Brasil todo. Ganhar ou não ganhar, a gente sabe que isso aí não muda nada.Eu tou aí graças a Deus, gente também que fez sucesso e não ganhou, que foi pro paredão, enfim…

EP – Fora dos palcos, o que você não abre mão de ouvir? Quais são seus ídolos na música?

ME – Pra ouvir eu sou muito eclética, porque eu nasci no Nordeste, moro no Rio de Janeiro… Meu pai é estrangeiro, é árabe. Eu morei fora um tempo, meu namorado é gringo (risos)… Na época que eu estudei na faculdade, tinha amigos de todos os lugares que você possa imaginar. Do Japão a Colômbia. Então eu sou muito eclética. Gosto de música boa. Sempre gostei muito de música clássica. Adoro musica Pop internacional. Adoro ouvir tudo. Escuto forró, MPB, escuto Pop. Acho que cada música tem o seu momento. Agora eu estou numa fase de ouvir mais as minhas próprias músicas, porque estou me programando pra gravar meu próximo disco de estúdio, que vai ser bem autoral. Eu estou numa fase bem “Marina Elali”, porque estou ouvindo as minhas próprias composições! (risos).

EP – Hoje os artistas, com o advento das redes sociais e da internet, são cobrados a ter uma interação maior com seu público e, consequentemente, ficam mais expostos às criticas do seu trabalho. Como você lida com isso?

ME – Eu acho maravilhoso. Porque é uma forma de me comunicar diretamente com meus fãs em tempo real. Eu gosto. Tenho todas as redes sociais. Eu acho que é interessante e você dar o limite. Você posta o que você quiser. Você responde a quem você quer, você escreve o que você quer. Acho que vai de cada um. E acho que também é importante saber que tem gente que não tem respeito. Não preciso dar cabimento a quem não tem. Eu respeito cada um, aí vai de cada um mesmo. Graças a Deus em relação a isso o que eu mais recebo é carinho mesmo dessas pessoas. Por isso que eu gosto e é uma coisa que eu faço. Eu posto direto fotos. Acho bacana porque nunca houve nada sério em relação às minhas redes, de desrespeito… Sempre que escrevem é uma coisa carinhosa. Continua positivo. Se algum momento me incomodar eu acabo com isso e não faço mais. Mas nunca aconteceu não.

“O trabalho que eu me proponho a fazer, que é um trabalho mais Pop, ele exige que eu cante, que eu dance, que eu interprete, que eu troque de roupa… É quase uma atriz em cima do palco, né? Eu mudo de personagem no show várias vezes. Tem a hora da poderosa e a da sofrida.”

EP – Como uma cantora que trabalha com uma faixa etária de público jovem, como você viu a participação dos jovens nos protestos sociais no Brasil? Você se engajaria em alguma manifestação?

ME – Olha, eu acho que é importante, porque a gente não pode ser hipócrita. A gente sabe que a situação do nosso país é lamentável. Em relação a vários assuntos, que a gente não precisa ficar entrando aqui. Como educação, saúde… enfim. Eu acho que é valido sim a gente fazer manifestação, tem muita gente, até muito mais jovem do que eu, que se engajou, que foi pra rua… Eu sou muito contra o vandalismo, porque muitos protestos se transformaram em outra coisa. Acho que não adianta nada o vandalismo, porque a gente tá perdendo a razão quando tá fazendo isso. Violência, vandalismo não leva a nada. Os jovens acordaram e disseram: “Peraí, a gente quer um país melhor!”. Eu acho bacana. Sem vandalismo eu acho bacana. Acho que tem que ser ouvido, a gente tem que reclamar mesmo. Porque a gente merece ter num país melhor. A gente mora num país muito rico culturalmente, cheio de matéria-prima maravilhosa… Um clima maravilhoso, um povo muito feliz, trabalhador. Acho que a gente tem que reclamar mesmo e tentar melhorar cada vez mais o nosso Brasil.

EP – Além do talento reconhecido como cantora, você também é muito lembrada pela beleza. Existe algum cuidado especial com sua forma que você não abre mão de ter no dia a dia?

ME – Eu tenho vários cuidados, mas coloco em primeiro lugar a minha saúde. Acho que depois o resto é consequência. Você se alimenta bem vai ficar com o corpo bonito, pele bonita, cabelo bonito… Vai ficar feliz com a saúde mental. A gente colocando a saúde em primeiro lugar o resto é consequência. Pelos cuidados que tenho com a voz, já me ajudam muito. Por exemplo, eu não bebo, eu não fumo… Não vou muito pra noitada, não como muita coisa que faz mal pra saúde, termina que também não engorda… Mas eu boto a saúde na frente. E claro que eu confesso que eu sou vaidosa. Eu sou apaixonada por maquiagem… Sou aquela mulher vaidosa. Mas com limites também, sabe? Acho que hoje em dia tem muitas mulheres que sofrem muito pela beleza e em busca de uma perfeição que não existe. Acho que a gente tem que se cobrar menos, pra gente ser mais feliz. É a gente saber valorizar os pontos fortes. Se eu tenho o olho que é mais bonito, vamos valorizar. Se é o cabelo… Cada mulher tem que encontrar seu ponto forte. E valorizar isso e ficar feliz, agradecer a Deus, tem que comer bem, fazer um exerciciozinho, pra ficar com um corpo bonito, ficar feliz. Mas sem neuras, sem exageros, sem sofrimentos. Nada de dietas malucas.

EP – Em termos de futuro, quais são os projetos profissionais de Marina Elali?

ME – Olha, lancei o DVD, passamos pelo processo todo de divulgação, a gente tá fazendo muita TV, rádio, shows, sessões de autógrafos… Agora tou organizando minhas composições, tou compondo bastante para muito breve entrar em estúdio e finalizar um disco de estúdio, que já não lanço faz um tempinho. Esse disco comecei a produzir em Miami e já tou com várias músicas pré-produzidas, quase prontas. E na hora que eu tiver pronta pra lançar, acho que este ano devo estar com um disco novo nas lojas, aí vai ser um disco inédito, super autoral e é um disco que vem bem Pop, seguindo essa linha que eu gosto, do Pop, com influências internacionais… Essa coisa bem viva que é a minha marquinha registrada (risos).

EP – Voltar à carreira de atriz está ainda em seus planos ou é um projeto definitivamente descartado?

ME – Olha, na verdade eu fiz teatro na minha adolescência e gostava do teatro. Mas a música sempre foi a minha grande paixão. Eu fiz uma participação na Globo, numa minissérie, me convidaram, foi bacana e tudo. Mas, assim, se me convidarem pra fazer alguma coisa, claro que vou pensar com carinho, vou ver se eu tenho condições de fazer, se o papel combina comigo. Mas eu não tenho nenhuma pretensão de ser atriz ou me tornar atriz. A carreira de cantora já me consome e já me faz muito feliz! (risos). Até porque o trabalho que eu me proponho a fazer, que é um trabalho mais Pop, ele exige que eu cante, que eu dance, que eu interprete, que eu troque de roupa… É quase uma atriz em cima do palco, né? Eu mudo de personagem no show várias vezes. Tem a hora da poderosa e a da sofrida (risos). Então eu já me realizo muito no palco.

EP – Conte um pouco sobre suas origens árabes. O que a influencia no dia a dia? ME – O meu pai nasceu na Palestina, veio pro Brasil. Inclusive ele veio pra Recife direto. Ele tinha 13 anos. Conheceu minha mãe que morava em Recife e casaram. Quase nasci em Recife! E aí quando eles foram morar em Natal, eu nasci em Natal. Mas, assim, guardo muita coisa da cultura… Tenho muitos traços árabes, apesar da minha mãe ser brasileira. Acho que meu rosto é mais árabe que tudo. Eu adoro maquiagem, que é outra marca registrada. A coisa do cabelo preto que eu uso até hoje, o cabelo mesmo de árabe, né? Essa coisa do cabelão, do olhão preto, isso é muito árabe. Eu gosto muito de brilho, que também árabe gosta muito de brilho,eu uso muito no palco. E sou apaixonada pela dança do ventre, que eu danço nos meus shows também. Sou apaixonada pela dança e pela música árabe. Sempre nos meus trabalhos coloco alguma influência. Engraçado que neste projeto em homenagem a Gonzagão e meu avô eu coloco algumas coisinhas ali da dança árabe, da música árabe também. Amo a comida, gosto da música, gosto de tudo! Não tem como não gostar. 50% de mim é árabe.

EP – Você atualmente mora no Rio de Janeiro, mas é potiguar e com raízes também pernambucanas. Qual a relação de Marina Elali com Pernambuco?

ME – Moro no Rio já faz 10 anos. Depois que me formei na faculdade vim morar no Rio de Janeiro. E eu sou apaixonada pelo Nordeste, que é meu lugar e apaixonada por Pernambuco. Fui muito a Recife quando era criança, adolescente… Vou até hoje porque minha avó mora lá. Minha tia que já faleceu era de lá, então ia visitar meus primos. Sempre fui ver minhas tias, as irmãs da minha avó, todo mundo… E minha vida foi muito dividida entre Natal e Recife, porque a gente ia quase todo final de semana para Recife. Até eu brinco que quando eu era criança, não tinha nem shopping em Natal, então eu ia pro shopping de Recife fazer compras (risos). Eu adoro, tenho uma paixão muito grande. E uma das maiores emoções da minha vida foi receber o título de “Cidadã do Recife”, porque sempre tive uma paixão muito grande… eu queria ser recifense, e agora eu sou! (risos). A família toda com aquela paixão pelo Sport, meu pai torce pro Sport, eu também torço pro Sport.

EP – Defina “Marina Elali por Marina Elali”?

ME – Uma pessoa apaixonada pela vida, que vive intensamente cada momento com muita alegria. Com muita fé, muito determinada, que valoriza as coisas simples da vida… A família, a natureza e os momentos. Eu gosto de ser feliz, eu procuro ser feliz. Eu amo o que eu faço. Só quero plantar o bem nesse mundo, pra quando eu for embora saber que eu fiz o melhor que eu pude aqui. E que eu fiz o melhor trabalho como artista também, que eu deixei alguma coisa boa nesse mundo.

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