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galleristÉ com um sorriso largo, daqueles de orelha a orelha, que apresento a vocês a nossa Gallerist, a coluna de moda da Empório Paradigma. Digo nossa, porque, de fato, trata-se de um espacinho só nosso, inteiramente dedicado a nós mulheres que adoramos trocar “figurinhas” sobre moda, decor, arte e, claro, universo pop. A colunista que vos escreve é uma aficcionada por moda desde sempre, e uma confessa amante das artes em suas mais diversas formas, sendo assim, imensa foi a felicidade (e empolgação!) que senti quando convidada para dividir com vocês, leitoras, um pouquinho deste amor todo. Passo a maior parte dos meus dias (sempre corridos, digase de passagem) entre a Universidade Federal de Pernambuco, onde curso Design de Moda, e a Universidade Católica de Pernambuco, onde me dedico ao estudo das leis e suas nuances (aka Direito), dois universos bem diferentes que mesclam a emoção da arte e a razão do saber jurídico, e que acabam por me manter, de fato, equilibrada. Como exímia estudante de moda curiosa, ao longo dos anos, me vi envolvida com os mais diferentes tipos de projetos ligados à moda, através dos quais conheci muita gente talentosa, outras que fazem e acontecem, e algumas nem tão legais assim.

Também descobri novos jeitos de pensar moda e de se comunicar através dela. Experiências que, sem dúvidas, retratarei aqui, seja para darmos estridentes gargalhadas, seja para refletirmos um pouco. O bacana de se permitir desvendar o lado low profile da moda, conhecendo pessoas do tipo “gente fina, elegante e sincera”, é ver a moda em sua essência, isto é, como a mais simples demonstração de arte, cultura e expressão, onde não há preconceitos, nem regras, e sim paradigmas… O bonito é criar e usar aquilo que satisfaz, mesmo que indique “transgressão”, por isso sempre gostei do cenário fashion underground da cidade, mas, em contrapartida, também me vejo inserida no âmbito high profile da coisa, onde o luxo e a ostentação gritam alto, e, óbvio, eu adoro ver esse efeito que a moda causa nas pessoas. É incrível! Não querendo com isto dizer que há mal em ser adorador das labels e de seus artefatos tão majestosos e exclusivos, eu mesma sou daquelas que tem uma enorme wish-list, na qual no topo está a itbag desejada, e ainda, admito, tenho como inspiração o criativo Olivier Rousteing, diretor criativo da Balmain, que consegue como ninguém tornar tudo que produz objeto de desejo instantâneo.

 

galleristreservaCom isto, quero dizer para vocês que somos todos “fashion victims”, não no sentido mais utilizado do termo, qual seja, vítimas das tendências trazidas a cada estação, neste aspecto, digo em alto e bom tom que não sou, pois só uso aquilo que me cai bem, e tem a ver com o meu estilo; mas, no sentido de que somos todas vítimas (ou melhor, amigas íntimas) da moda, pois, seja transitando em qualquer dos mundos (high ou low), somos vítimas dos seus (incríveis) efeitos. Nesta primeira edição, depois de muitos e-mails recebidos, e sugestões (muito bem-vindas!), cinco lojas foram selecionadas, com diferentes estilos e nelas garimpei para vocês peças super atuais e que retratam as tendências e conceitos ditados pelas semanas de moda (nacionais e internacionais) para a temporada outono-inverno que se aproxima. Vamos conferir?

 

 

 

 

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IMG_7808-2Para essa primeira edição, pensei em trazer uma joalheria de estilo marcante, e que pelo design e conceito das peças conseguisse se diferenciar das demais. Não demandou muito tempo e eu já sabia qual label trazer pra vocês: a CiS. A marca, ciceroneada por Cristiana Lemos e Camila Paes Mendonça, é o resultado da inteligente fusão entre design inovador e uma administração criativa. Cristiana, formada em design, com especialização em design de joias, e Camila, formada em administração, são amigas de longa data e duas apaixonadas por moda, e, claro, por joias. Deste amor, nasceu a CiS, nome derivado das iniciais das amigas, em 28 de abril de 2009, dando início a um legado de joias diferenciadas, distante do mood vintage tão visto e revisto nas vitrines da maioria das joalherias, e totalmente ligado à praticidade e modernidade que a mulher do século XXI busca. Hoje, a marca conta com duas lojas na cidade, uma na Galeria Via Della Fontana na Conselheiro Aguiar e outra no Shopping RioMar. Em bate-papo com as proprietárias, elas contaram que conseguiram, através do design diferenciado e ultramoderno de suas peças, conquistar não somente as que admiram uma bela joia, como também um público até então não consumidor de joias e que se identificou com a nova proposta trazida pela CiS. Essa identificação com o público vai além da venda, visto que é prioridade para Cris e Mila estarem sempre em contato direto com as clientes. Para isto, realizam vez ou outra um “petit comité” com as clientes na loja, no qual assuntos como moda e design de joias são colocados em pauta. Algumas das ações feitas pela dupla foi a Campanha do Dia das Mães de 2012, em que as clientes fiéis da marca foram utilizadas como modelos, o que gerou enorme burburinho na cidade, como também um requintado petit Balneário na Praia de Toquinho. E para quem pensa que as peças da CiS só estão na wish-List das mulheres se engana, pois a marca conta ainda com a linha masculina e infantil. Depois da minha visita à loja, só tenho a certeza de uma coisa: minha wish-List certamente ficou maior.

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Maria Filó

IMG_8249A Maria Filó, nascida no coração do Rio de Janeiro (Ipanema), em 1997, tem como característica principal a feminilidade de suas peças. A MF conta com duas lojas em Recife, em dois grandes shoppings da região, o Shopping Recife e o Shopping Plaza, portanto, atende, com primazia, as clientes da zona sul e norte da cidade. Sob o comando de Guilherme Ruas, as duas franquias da Maria Filó contam com clientela fiel, que não abre mão das peças da loja, que misturam o clássico com o moderno de forma criativa. As estampas exclusivas da marca são destaque a cada coleção e vêm em shorts, saias e vestidos. Para a temporada outono/inverno que se aproxima, a marca investiu no animal print e no couro trabalhado em recortes, aposta certeira para os looks “night deluxe”! Outro ponto alto da coleção são os cardigans e tricôs, que variam entre o estilo girlie e o “american school”, este muito visto nas últimas semanas de moda. Como destaques da coleção, aponto o conjunto maravilhoso de couro (sonho de consumo!) o qual é todo recortado a laser e atende as necessidades da minimalista mais exigente; o tricot mostarda com estampa de zebra que é leve, cool e moderno, ideal para o “inverno” da nossa região e o cardigan off White, com trabalhos manuais em algodão e lã, que se destaca em relação aos cardigans que encontramos por aí, por ter cumprimento até os joelhos. Super quentinho e confortável! A coleção está uma das mais lindas que já vi da marca, que, a cada temporada, vem me surpreendendo positivamente. Vale conferir!

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Juliana da Fonte

IMG_7537Num sábado ensolarado visitei a Juliana da Fonte, que leva a assinatura da designer e proprietária Ju da Fonte. Confesso que não imaginei que a loja fosse tão cool, pensava que tratava-se de apenas mais uma “bijoux store”, mas, só de entrar no cantinho de Ju, me surpreendi. A loja conta com uma enorme gama de acessórios, todos exclusivíssimos e feitos no atelier da marca. Em conversa com a designer, ela me contou um pouco de sua trajetória, assim como disse que iniciou os seus trabalhos em um pequeno atelier, e como conseguiu, em pouco tempo, conquistar várias fãs de seu trabalho, resolveu abrir a Juliana da Fonte. No meu passeio pela loja, pude notar que Ju conta com um acervo basicamente étnico e rocknroll, duas tendências vistas em quase todos os desfiles das semanas de moda. Os maxicolares pesados e com pedrarias são extravagantes na medida e acabam por exalar a atitude que a próxima estação nos pede, além de serem ótimas apostas para os looks da noite. As longas correntes em metal são os acessórios perfeitos para quem quer se aventurar no combo leather jacket e jeans detonado, como as mulheres da coleção outono/ inverno da Balmain. Os crucifixos com mood gótico estão espalhados pelas araras, como se quisessem espantar todo tipo de energia negativa e urucubaca! Me encantei pelos brincos com pequenas cruzes, remetendo à ideia de que podemos levar símbolos protetores até nas orelhas! O máximo! Já os colares, pulseiras e maxibrincos de referência étnica trazem um aglomerado de miçangas, contas, franjas, patuás… simplesmente incríveis. Ao passo que saí colocando todas as peças de forma desordenada, uma em cima da outra, fui me sentindo uma daquelas deusas africanas adeptas do pulseirismo, super coloridas e genuinamente étnicas. Pra quem ainda não sabe como usar os acessórios étnicos, fica a dica: o jeito mais cool é aderindo ao high-low, isto é, misturar estas peças (principalmente as com cordões em couro) com joias, fica incrível e super moderno!

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Bicot

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Já imaginou você ter uma loja cheia de novidades e peças-desejo bem pertinho do seu trabalho? Seria incrível, não é? A Bicot traduz ao pé da letra essa experiência, visto que está localizada no conhecido empresarial Albert Einstein na Ilha do Leite, tendo como público-alvo principal as mulheres que trabalham por perto. Sob o comando de Aubênia Loureiro, Graça e Marina Aguiar. a Bicot é uma daquelas lojas que contam com acervo de multimarcas especializadas no melhor do fast-fashion e portanto, tem sempre em suas araras t-shirt e peças que trazem a última tendência lançada no mercado da moda. A loja abriu as portas em 11 de junho de 2010, e desde então possui clientela fiel e sem faixa etária definida, pois tanto adolescentes quanto mulheres mais maduras conseguem encontrar o que procuram na Bicot. E isto, segundo Graça, sem dúvidas, é o grande diferencial da loja, que atende a mulheres de várias idades e tamanhos. Diferente da maior parte de lojas em empresariais que geralmente apostam em roupas de trabalho, a Bicot faz exatamente o contrário, traz modernidade, leveza e descontração para as suas araras lotadas de t-shirts divertidas e vestidos estampados, os quais, de cara, remeteram-me ao universo de Peter Pilotto. Os shorts detonados em jeans com lavagens modernas e calças em couro são alguns dos itens “temque- ter” pro inverno ameno que temos em nossa região; as clutches e acessórios descolados da loja também são must-have! Várias foram as peças que gostei da loja, e que certamente levaria para casa, mas duas me seduziram por inteiro: a blusa com estampa artsy da bandeira do Brasil (per-fei-ta para quem quer estar estilosa na Copa) e o vestido com estampa gráfica que traz listras em p&b e elementos florais. Simplesmente demais!

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Honey Pie
IMG_8189Ao entrar no universo lúdico da Honey Pie, você se sente em um daqueles bistrôs parisienses ou até mesmo na Magnolia Bakery, em New York, e todos os detalhes (do lustre ao espelho da loja) a surpreendem. E foi exatamente este o clima que Laurinha Marinho, proprietária e designer da marca, quis criar quando deu vida à Honey Pie, nome de um grande sucesso dos Beatles que serviu de inspiração para tal (torta de mel, em português), cheio de doçura, surpresas e mimos. Ao provar as peças, me senti uma verdadeira Waldorf, ou até mesmo uma Hepburn, quase que instantaneamente. Os brocados, as pérolas, os canutilhos milimetricamente bordados nas tiaras e headbands fizeram com que eu (totalmente adepta do visual militar e rocknroll) suspirasse como uma amante do estilo Lady Like. Ao provar o colar de pérolas de quase mil voltas (uma coisa de lindo!) me senti uma privilegiada, pois conheço inúmeras Waldorfianas (seguidoras do Blair Waldorf style!) que “matariam” (to die for!!) para estar no meu lugar. Plumas e mais plumas são encontradas nos acessórios de cabeça, que mais parecem os “fascinators” usados pela elite britânica e pelas bem-nascidas francesas de estilo girlie. Além dessa gama de acessórios incríveis, Laurinha tem se enveredado pelo universo das noivas, e tem produzido verdadeiras obras de arte para as que estão prestes a dizer o “sim”. Se a Honey Pie já é considerada símbolo de delicadeza e bom gosto na produção de acessórios casuais, imaginem na criação de peças tão especiais e únicas para um casamento? Outra novidade bacana é a parceria com a estilista Carolina Escobar, que, adaptando-se ao mood da loja, traz para o público-alvo vestidos rodados e rendados com ar vintage.

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Por Duda Egito