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Cidades Planejadas

Por: James Dubeux

Economista formado por University of North Carolina at Chapel Hill, representante da Moura Dubeux na área de Relacionamento com investidores. james@mouradubeux.com.br

Em 1900 10% da população humana era urbana, em 2010 ultrapassamos o marco de 53% da população urbana, e até 2050, pesquisas apontam que 70% da população humana será urbana. Esse deslocamento da população humana para nossas cidades nos obriga a responder perguntas e desafios significativos como onde vão morar essas pessoas, como vão se locomover, a cadeia de alimentos, o fornecimento de água, saneamento, e energia para citar apenas alguns. Como diria Oliver Wendell na introdução do livro The Death and Life of Great American Cities, em vez de causar desespero, esses desafios deveriam nos inspirar porque irão demandar cada vez mais esforços intelectuais cada vez mais complexos e em conjunto, e são esses esforços que representam uma vida mais rica e completa.

james2No Brasil, temos vários exemplos de projetos de infraestrura que tratam de abrir espaço nas cidades para elas crescerem nos exemplos do Rodoanel de São Paulo e a Ave. Paralela de Salvador. Talvez o exemplo mais bem-sucedido e conhecido no mundo é o caso de Curitiba e seu sistema BRT. Em Recife, o foco principal tem sido os polos industriais na forma de Suape e Goiana. Esses projetos têm sido bem-sucedido na geração de emprego e desenvolvimento econômico, mas esqueceram de levar em conta os outros elementos da vida humana.

Hoje, quem tem entrado para suprir essa lacuna são as incorporadoras imobiliárias com o planejamento de cidades e bairros. Na época pós-industrial, esse desenvolvimento urbano tem acontecido em terrenos onde as indústrias foram descontinuadas, com os projetos mais emblemáticos localizado em áreas portuárias ou fabricas descontinuadas a décadas. Porém, o espaço limitado e velocidade do crescimento em Recife demandam soluções mais audaciosas e é por isso que vemos as cidades planejadas e bairros planejados de grande porte em áreas novas, ou seja, o reaproveitamento de áreas verdes antigamente dedicadas à indústria açucareira.

james3Antigamente as incorporadoras precisavam pensar apenas por lote, rua, ou no máximo no nível do bairro. Nesse produto novo, as incorporadoras estão sendo forçadas em pensar em infraestrutura, densidade, transporte, e outros fatores novos. Essas novas perguntas requerem uma sintonia cada vez maior com projetos de longo prazo das prefeituras e até do estado em exemplos como o transporte fluvial do Rio Capibaribe, corredor BRT da Caxangá, VLT do Cabo, e os novos polos industriais/clusters como Suape e o polo automobilístico. Se conseguimos acertar esse equilíbrio, estaremos bem encaminhado em criar bairros e cidades com pessoas bem empregadas, socialmente seguras, e no meio de um ambiente mais amplo que permite lazer e exercício para se viver com saúde. Tudo isso irá requer a sintonia de politicas e leis do governo, estratégia na parte das empresas, capital de investidores e financiadores, e a confiança dos consumidores num produto final nunca visto antes.

Na medida em que essas cidades vão atingindo suas populações desejadas, é importante que as incorporadoras se lembrem da ordem de prioridades de Jahn Gehl, para pensar nas vidas das pessoas, o espaço em que elas vivem, e por último, as edificações que formam esse espaço.

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