AVIDA
                       É UMA SÓ,
ÊÔ ÊÔ!

A habilidade já vem de família. Hoje, Fábio Casanova lidera um centro de referência em cirurgias a laser.

Numa precoce trajetória de 9 anos, selou com excelência os novos recursos e nos permitiu, pela nossa lente, mostrar o outro foco de sua rotina.

Por: Manu Asfora
Fotos: Paulo Jacques

E foi assim, de braços abertos, que Fábio Henrique Cacho Casanova (43), pai de Julia (09), de Gustavo (06) e casado com Marcia (40), nos recebeu em seu jardim. Emocionou-se e nos emocionou, contando como galgou esse legado de pioneirismo e destaque profissional.

Dentro de casa. Foi assim que começou a admiração pela Medicina e a influência pela área oftalmológica. Tendo seu pai, o também oftalmologista Rui Casanova, como referência de vida e carreira. Mérito este que não só lhe abriu portas, como também, o interesse pela profissão. Durante a adolescência, no Recife, mesmo ainda não sendo formado, fazia questão de seguir os passos do pai e acompanhá-lo em eventos e congressos.

As circunstâncias fizeram Fábio permanecer muito tempo longe de Recife. Foram cerca de 12 anos, se dividindo entre São Paulo e Boston (EUA), locais responsáveis pela sua formação profissional. Depois de se formar em Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1997, seguiu para a tal sonhada independência profissional, quando resolveu fazer residência médica, especialização na área de catarata, cirurgia refrativa e doutorado, pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), entre 1998 e 2003, onde obteve influências de outras pessoas e a partir de então, seguindo seus próprios passos, para o que hoje chamamos de exemplo de case de gestão. Depois, o pós-doutorado na mundialmente reconhecida Universidade de Harvard, de 2004 a 2005.

Esse período longe da capital pernambucana durou de 1997 a 2011, embora o regresso do tempo no exterior para São Paulo tenha ocorrido em 2005. Ainda ligado a UNIFESP, mas como preceptor de residentes e de pós-graduandos, assumiu a chefia do setor de Cirurgia Experimental do Departamento de Oftalmologia. Foi nesta época que surgiu a ideia de montar um serviço de oftalmologia em Recife e a chance de voltar para a sua cidade natal. Aqui começa uma história bonita e ao mesmo tempo não programada.

“Marquei uma reunião com o Dr. José Aécio, que duraria 15 minutos, e foram duas horas de conversa. Ele perguntou: “O que você quer montar? É uma parte de um andar, um consultório?” Eu falei que não, teria que ser um andar inteiro. “E você já quer começar com um andar inteiro?”. Eu disse “claro, não poderia voltar aqui para montar apenas um consultório. Ou montaria uma clínica com laser, com tudo de melhor ou então não valeria a pena”, relembra Fábio.

Perguntado sobre quanto seria necessário para o investimento, o médico disse não entender de obras, mas os aparelhos custariam aproximadamente 1 milhão de dólares. Aí ele disse: “Tá bem, uns 3 milhões de Reais… E como você imagina a divisão na sociedade?” Propus 50% para cada. Meu pai estava junto na hora e ele falou: “Rui, eu acho que ele não foi fazer pós-doutorado em Harvard não. Foi fazer MBA de Economia! [risos]”. Meu pai disse então que eu era muito centrado e já tinha tudo preparado. Dr. Aécio então me pediu para colocar tudo no papel, que mostrasse quais eram os aparelhos e quanto custariam, para poder então orçar a obra. Quando entrei no elevador, meu pai me disse: “Você é maluco? Me pediu US$ 7 mil emprestado, terminando o ano lá em Boston, para trazer o primeiro aparelho e ainda nem me pagou, não tem nem onde cair morto e agora vai fechar um negócio de US$ 1 milhão?” Acalmei meu pai, dizendo a ele que tudo daria certo”.

Foi o primeiro passo dado para o sonho da montagem da clínica. Um planejamento de três anos, enquanto ganhava tempo e acumulava reservas. Morando em São Paulo, vinha para Recife mensalmente, onde discutia como seria todo o planejamento da montagem. “Nós mudamos várias vezes o projeto. Tenho os rascunhos e os manuscritos que fazíamos, até hoje… foi uma época maravilhosa. É gostoso a gente criar do zero um serviço”, diz.

O projeto inicial contava com a participação de outros médicos oftalmologistas, em parceria com o Memorial São José. No começo, não havia convênios e nem pacientes, e ele estava sozinho em São Paulo. Um período difícil, onde estes médicos optaram por não comprar a ideia.

Entre o período inicial do projeto e a saída dos outros sócios, foi preciso montar uma nova composição societária. Fábio convidou um amigo de São Paulo, o também oftalmologista Renato Neves, o qual é tratado como um guru por Casanova, por terem trabalhados juntos por 10 anos, seu pai e seu irmão, César Augusto Casanova. Foi a saída encontrada para não ter que abrir mão do sonho, e também um grande estímulo para voltar ao Recife.

O dia 01 de maio de 2008 marcou o início das obras do Memorial Oftalmo. Dia do trabalho. Um projeto ambicioso, pensado meticulosamente desde 2005. E, pouco tempo depois de inaugurado, viria a se tornar uma referência na oftalmologia pernambucana, por sempre buscar diferenciais nos serviços ofertados aos seus pacientes. Todavia, o começo do empreendimento, como qualquer novo empreendimento, teve dificuldades.

Durante as obras, aconteceu a quebradeira mundial de bancos famosos, como o Lehman Brothers e o Citibank. Os sócios iriam pegar um empréstimo no Banco do Brasil, na semana do ocorrido. O banco informou que não iria mais poder fornecer o empréstimo. Assim, a obra passaria a ser tocada com recursos próprios. E assim foi feito. A inauguração aconteceu no dia 25 de novembro de 2008, enquanto a economia mundial passava por uma grave crise. Poucos meses depois, em fevereiro de 2009, todas as reservas financeiras dos sócios já tinham acabado e o negócio ficou ameaçado de não continuar. Mas a ideia e a visão aguçada dos sócios realmente era de que as coisas mudassem. A aposta foi arriscada, porém bem sucedida.

Com a espontaneidade que lhe é bem peculiar, Fábio relembra um fato marcante destes tempos de dificuldades no estabelecimento da clínica; História inspiradora para o crescimento do negócio. “No dia 10 de Fevereiro de 2009, foi um dia que eu tive apenas uma paciente. A atendi por uma hora e meia. Seu nome é Vera Lucia e, até hoje, ela é minha paciente. Ela falou: “Dr. Fábio, seu atendimento é muito bom, quero sua clínica cheia, mas quero a mesma atenção pra mim”. Na época, a consulta era R$ 250,00, e ela pagou. Porém, era o dia do pagamento dos funcionários, e eu tinha quatro, que recebiam mais de R$ 1 mil reais cada um. Chamei todo mundo e disse: “Infelizmente não tenho mais nenhum dinheiro e iremos dividir o apurado por igual”. Eles ficaram aperreados! Mas falei a eles que iria pagar, só não poderia ser naquela hora, pois estamos iguais aqui e agora. Dois destes quatro funcionários permanecem na clínica até hoje. Uma delas, que era recepcionista, hoje é o meu braço direito. A outra, que começou como serviços gerais, hoje me auxilia nas cirurgias a laser. Depois disso veio toda uma história. Hoje temos mais de trinta funcionários, dessa sementinha plantada neste dia”, recorda o médico.

Em Julho de 2009 o sócio paulista, Renato Neves, anunciou sua saída da sociedade, pois estava adquirindo outra clínica. “Ele era o único que tinha grana, já que eu, meu pai e meu irmão, estávamos no vermelho. Precisaria comprar a parte dele. Aí expliquei que não tinha como pagar no momento, mas garanti que daqui a seis meses eu pagaria, dividido em 6 vezes”, explica Casanova. “Juros foram acordados para compensar as parcelas, começando a serem pagas em Dezembro de 2009 e terminando em Maio de 2010.“ Quando chegou na data combinada, Renato me ligou e eu falei que só tinha metade da parcela, mas tinha um Audi em SP, e disse que ele poderia retirar o carro e a gente depois completaria essa parcela. Depois as coisas foram normalizando. “Em 2010 a clínica começou a empatar”, esclarece. Foi em 2011 que o negócio decolou. “Em 2012 nós nos tornamos a clínica com o maior movimento de laser por médico do Brasil”, conta Casanova, provando que a aposta foi certeira… como um raio de laser.

Casanova já atendeu muitos pacientes, mas hoje tem uma rotina mais flexível em seus horários. O ápice da clínica foi em 2012, quando o médico começava a atender às 08:00h e terminava às vezes à meia noite. A partir de fevereiro de 2011 ele parou de realizar atendimentos clínicos, e o agendamento era feito só para marcação de cirurgia. O ritmo era tão intenso que se uma consulta para avaliação cirúrgica fosse marcada em dezembro de 2012 só haveria vaga pro início de 2014. A agenda de 2013 já estava lotada e iria chegar a um ano de fila de espera para uma cirurgia. O médico então decidiu fazer algumas adaptações, cortar alguns convênios, encurtar o número de consultas, porque a demanda estava sendo auto gerada: quanto mais atendimento, mais procedimentos cirúrgicos. Mas existia o limite humano, a família, esposa e filhos. A ponto de chegar nos restaurantes para jantar às terças e quintas por volta de 00:00h, quando conseguia sair. Em 2013, ele conseguiu regular a sua agenda. Atualmente atende um número mais razoável de pacientes, embora já tenha atendido quase o triplo do número atual.

O Memorial Oftalmo sempre se destacou pelos serviços inéditos ofertados aos pacientes. A chegada de um moderno aparelho de laser em 2008, sendo a única clínica do Nordeste a ter dois lasers ao mesmo tempo [apenas uma clínica em São Paulo possuía um aparelho laser e outro de backup], ajudou a estimular uma concorrência saudável. Pernambuco tem um polo médico diferenciado, e Fábio Casanova foi um dos que colocaram o seu tijolinho, como parte dessa evolução. O carro chefe do Memorial Oftalmo é o de sempre fazer o melhor para o paciente. E, para fazer o melhor para o paciente, é preciso apostar no pioneirismo, trazer coisas diferentes, que transformem a saúde do paciente.

Um outro diferencial foi a aquisição de um microscópio cirúrgico, lançado nos EUA. Fábio foi a um congresso no país, em 2011, e a cirurgia foi transmitida ao vivo. Quando sentou-se no auditório e viu a imagem absurdamente nítida, se encantou. Após a cirurgia, dirigiu-se ao stand do produtor do microscópio e falou que precisava ter um microscópio igual a aquele. Uma pessoa do Rio de Janeiro fazia a representação desse microscópio para o Brasil, sendo então Casanova, o primeiro a adquirir esse microscópio para trazer ao Nordeste, e o segundo no país.

A introdução da cirurgia de catarata a laser, em 2013, foi outro marco importante da clínica, que realizou a primeira cirurgia de catarata a laser no Estado. Uma cirurgia mais precisa e segura, em relação ao procedimento da cirurgia de catarata convencional. Sua grande vantagem é a chamada reprodutibilidade. “É difícil acreditar que eu consiga fazer 1.000 cirurgias manualmente da mesma forma. Não vou conseguir reproduzir a mesma incisão em 1.000 olhos. Mas eu vou conseguir fazer através do laser”, explica o médico.

Já a cirurgia de correção de grau, chamada de cirurgia refrativa, que também pode ser realizada a laser, possibilita ao paciente, praticamente corrigir todo o grau de sua visão. Indicada para pacientes portadores de miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia, problema que atinge aproximadamente 500 milhões de pessoas no mundo, a partir dos 40 anos de idade. A presbiopia é a dificuldade em focalizar objetos próximos, especialmente com pouca luz [vista cansada]. Um problema ainda tratado com desconhecimento, tanto por parte dos potenciais présbitas e entre os próprios médicos oftalmologistas, que acreditam que só possa ser corrigido com óculos. O tratamento para este problema existe e Fábio alerta para a importância da divulgação sobre a presbiopia, e de que existem intervenções para corrigir o problema. “Muitas pessoas desconhecem ser possível deixar de usar óculos para perto”, alerta ele. Pernambuco e o Memorial Oftalmo são referência neste tipo de cirurgia no Brasil.

O cuidado com a saúde dos olhos em dia, é importante para todos. E Casanova aponta que o primeiro passo para uma boa visão é ter, inicialmente, uma rotina de consultas anuais ao oftalmologista. Esse cuidado deve iniciar desde o berço até os seis anos de idade de forma mais intensa. A partir dos 2 meses de vida, já é possível levar o bebê para fazer o chamado “Teste do Olhinho”, que pode detectar algum tipo de doença congênita, para ser logo tratada, a fim de evitar sequelas futuras. “Não é incomum os jovens só descobrirem durante o teste oftalmológico para tirar a carteira de habilitação, que têm um olho mais fraco que o outro [chamado de ‘olho preguiçoso’, pois não atinge 100% do poder de visão]. Por isso, o acompanhamento desde a infância é importante”, alerta. Outras dicas importantes, principalmente para evitar agravamento de miopia, é evitar coçar os olhos e aproximar demasiadamente objetos do olho, seja para leitura, uso de computador ou do telefone celular.

Após os 40 anos, o paciente deve manter uma rotina de acompanhamento mais cuidadosa, para evitar doenças como a presbiopia e o glaucoma, podendo até levar a cegueira. “Aqueles pacientes que perdem a visão com 70, 80 anos, se tivessem feito um acompanhamento, não chegariam a esta situação. Só que eles só procuram o oftalmologista quando não enxergam mais, e isso é uma falha grave”, explica. Cuidados relativamente simples, mas que podem ajudar numa drástica redução de problemas relacionados a visão na maioria da população.

Para pacientes que já passaram por intervenção para correção de grau, um esclarecimento: O grau nunca volta. Fábio comenta o porquê das pessoas ainda costumarem a fazer esta afirmação. “O que acontece é surgir um novo grau. Por dois motivos: Primeiro, se o paciente coçar muito os olhos sendo jovem. Se você coça os olhos, encurva mais a córnea, que é mais flexível nesta idade, aumentando a miopia e o astigmatismo. O segundo motivo é o grau do olho não estar estável. Por isso é importante fazer a cirurgia quando o grau está estabilizado [geralmente entre 18 a 25 anos de idade]. O laser pode tratar, mas se não houver estabilidade, o grau aumenta de novo”, esclarece.

Pacientes míopes também podem ser vítimas de descolamento da retina, até mesmo durante o sono. Isso ocorre porque o olho do míope é mais comprido, a parte branca do olho é mais alongada e isso torna a retina do míope mais esticada. Este tipo de acidente é até 40 vezes mais comum em um míope do que num paciente não míope. O acompanhamento com um oftalmologista anualmente pode prevenir este descolamento.

Enxergar bem não significa que o olho é 100% saudável. Um pensamento traiçoeiro e que sempre é comentado com os pacientes atendidos pelo médico. “Geralmente as pessoas só vão ao oftalmologista para trocar o grau do óculos ou para fazer um óculos. Se está enxergando bem, ele não vai. Quando não está, aí ele resolve ir”, explana. E mesmo quando o paciente é operado e tem o grau zerado, ficando livre do óculos, não deve pensar que pode ficar livre do oftalmologista. Fábio explica o motivo: “Existem doenças silenciosas e o retorno deve ser anual. Aqueles pacientes jovens, que não estão sentindo nada ou não têm tendência a outras doenças, pelo menos a cada dois anos devem se consultar. O ideal seria consultas anuais e nunca achar que enxergar bem significa não ter uma outra doença no olho. Enxergar bem significa que você não tem grau. Mas olho não é só grau.

Casanova considera que exercer a profissão de médico oftalmologista é, para ele, um orgulho, honra e um ato de nobreza, por conseguir lidar com a visão das pessoas. “Para que vocês tenham ideia, de toda carga neuronal que nós temos, todos os neurônios no cérebro, cerca de 40% deles são dedicados exclusivamente para a visão, os outros 60% são para o resto do organismo. Além disso, temos doze pares de nervos situados no cérebro. Desses doze, seis deles estão associados ao olho, e os outros seis para outros órgãos”, esclarece.

A oftalmologia e o tratamento de patologias rendem histórias marcantes, que só dimensionamos a imensidão deste tema quando se fala sobre ele. Fábio ainda morava em São Paulo, quando realizou uma cirurgia de catarata total em um paciente que já não conseguia mais enxergar. “Nesta época, aproximadamente 15 anos atrás, ainda se fazia uso do tampão pós-cirurgia. O paciente chegou na sala e foi retirado o tampão do olho, aí ele enxergou, se emocionou e falou “Obrigado”. Então começou a chorar, junto com sua esposa, foi quando ela me disse que há quatro anos ele não falava uma única palavra. Eles se emocionaram e nos abraçamos”, conta Casanova. “No dia que eu não me emocionar mais com o que faço, eu vou parar de trabalhar, pois é importante você fazer o que gosta, e a gente vê isso toda semana, pacientes com oito, nove e até dez graus de miopia, pacientes présbitas, com alto grau de hipermetropia se levantando da maca dizendo que estão enxergando, e se emocionam, nos abraçando. Pacientes que desde os 2 anos de idade usavam óculos… isso é incrível”, relata.

E o futuro da oftalmologia, como será construído? “Penso que vamos conseguir oferecer ainda mais opções para os pacientes. O grande passo seria o tratamento da cegueira, que hoje não é tratada. Sabemos que a catarata é a principal causa de cegueira reversível no mundo, mas tem causas que não são curáveis ainda. Um paciente que nasceu enxergando e perdeu a visão ao longo da vida, provavelmente ele voltará a enxergar no futuro, com os avanços da Medicina. Agora o paciente que já nasceu cego, esse ainda não tem como reverter. Em um futuro próximo, quem perder a visão ao longo da vida, deverá recuperá-la”, analisa Fábio, de maneira otimista.

Ser uma referência profissional e também familiar é uma meta constante de Fábio, onde também é tido como um exemplo de conduta dentro de casa. “Se eu for metade do que meu pai foi pra mim, eu já estou feliz. Falo muito isso com meus filhos e com a minha esposa: O mais importante de tudo é a família unida, essa unidade nos fortalece, serve como apoio pra tudo, né? Uma família que não seja unida, terá dificuldade em exercer suas atividades”, explica. “Nas épocas difíceis, se minha esposa não me apoiasse, seria impossível passar pelo que a gente já passou. Então eu vejo isso em minha casa, na casa de meus pais, e tento transpor e viver isso. Meus horários de atendimento são moldados pensando em minha família. Quero acompanhar todas as fases de meus filhos, pois médico tem uma vida meio louca e a minha eu acho mais louca ainda! [risos]. Quando meus filhos estudavam à tarde, fazia questão de todos os dias tomar café da manhã com eles, desde quando nasceram. O ideal seriam as três refeições, mas fica difícil conciliar, mas pelo menos uma por dia eu não abro mão. A agenda da clínica, não só a minha e a de todos os pacientes e funcionários, é adequada a isso. Este ano, eles mudaram de turno no colégio para estudar de manhã. Tive que mudar tudo, só que os pacientes estavam acostumados a cerca de sete, oito anos naquele horário, e de repente muda. Eles dizem: “Dr. Fábio, agora é esse horário? que loucura! [risos]”. “Precisei mudar tudo, porque eles mudaram de colégio e eu continuo sem abrir mão de nos mantermos juntos, unidos, vê-los todos os dias e não ser um pai de final de semana. Quero que estejamos juntos sempre”, diz ele.

Fábio vive intensamente todos os dias. E seu lema de vida, como já dizia o grande filósofo Bell Marques, “é que a vida é uma só, eôeô”. Essa frase ele fala há mais de 20 anos que é a frase de sua vida. Desde os tempos da faculdade já falava isso para seus amigos. “Sinto que algumas pessoas são pobres de espírito e as coisas vão acontecendo, e as pessoas se apegam a detalhes tão bestas, tornando a vida infeliz”, conta Casanova. “Às vezes o mesmo problema pode ser visto de vários ângulos diferentes. Vejo isso nos pacientes, nas pessoas, nos amigos, na família… que a gente pode ver a vida de outra forma. Aquele problema não precisa ser o fundo do poço, que vai levar a uma depressão profunda. É preciso saber enfrentar adversidades, vencer obstáculos… com esse pensamento positivo, já é meio caminho andado. Se você já acorda rindo, feliz, brincando, seu dia vai ser mais fácil, com certeza. Não existe pessoa feliz, não existe felicidade completa. Temos que correr atrás”, explica.

“Todo mundo tem problemas, o que existe é a busca dessa felicidade. Então, se você facilita esse caminho, evidente que será mais fácil. Se você dificulta, cria barreiras, diz que tudo está ruim, amargo… a vida fica cinza, sem cor. Se você não está feliz naquele momento, mas você deseja ser feliz, você já está no caminho certo”.

CAUSOS DO CASANOVA

“Ainda em Fevereiro de 2009, como acabou o dinheiro para investir na clínica, não tínhamos computador e não tínhamos fax. O primeiro convênio só veio em Abril e, nessa época, o convênio funcionava com autorização pelo fax. A gente começou a atender e ainda tinha uma área que estava em obras… tinha gesso na clínica. Estávamos no sétimo andar e o oitavo era da diretoria. Quando eu subia lá e José Aécio não estava, assim que chegava, dizia: ‘Fábio passou aqui, né?’ Porque estavam lá as pegadas de gesso no chão na diretoria. Minha secretária nessa época pegava autorização pelo fax deles. À medida que foram aumentando os pacientes, eles mesmos perguntavam: por que vocês não passam no próprio fax? E a gente tinha vergonha de dizer isso, mas dizia que o fax estava em manutenção, quando na verdade a gente não tinha fax. Quando houve o primeiro pagamento do convênio, que só é feito dois meses depois, eu disse: ‘Agora vamos comprar um fax’. Lembro que compramos nas Lojas Americanas, em 10 parcelas de R$ 30,00. Então a gente tinha R$ 300,00 para pagar o fax [risos]. Os computadores também eram “na mão”.

“Outra história engraçada, também envolvendo o Audi. Como eu não tinha dinheiro, ia para o apartamento onde meu amigo morava, em Moema [São Paulo], quando ia pra lá. Era um quarto e sala, eu dormia no chão, no tapete ou no sofá dele. A gente saía nesse Audi e parava dois quarteirões da casa dele em um barzinho que tinha lá, comprava 5 ou 6 latinhas [de cerveja], ligava o som para ouvir Chiclete com Banana… dávamos umas três voltas no quarteirão ouvindo ‘Voa, Voa’, e ele me dizia: ‘Porra, isso é muito bom!’ [choro]. Tanto que, quando fiz meu aniversário com o Bell Marques, eu contei essa história pra ele e disse: ‘Poxa, é um sonho você estar aqui, porque eu me lembro que, na época mais difícil de minha vida [choro]… estava ouvindo suas músicas.’ Foi uma época bem complicada”.

“Nos três primeiros anos de clínica era uma loucura a rotina de atendimento. Para poder fazer render a clínica aqui, toda semana eu passava três dias em São Paulo e, uma vez por mês, em João Pessoa. Quando viajava ao Sudeste, sempre pegava o voo das 00:00h ou o das 03:00h, para não perder as horas de expediente. Me lembro também que quando chegava em São Paulo às 03:00h ou às 05:00h da manhã, eu ficava em um apartamento de um amigo, e era uma época que… [choro] ele falava pra mim… [choro]: ‘Não, Fabinho. Tu tem que vir logo aqui pra casa, vai ficar aí no aeroporto esperando?’ Eu dizia que não, porque precisava esperar o ônibus da Gol ou da TAM, que era gratuito e incluso na passagem. ‘Mas você vai ficar no aeroporto 2, 3 horas? Passa esse tempo aqui descansando, tu chega e já vai trabalhar’. Eu dizia que não tinha o dinheiro do taxi. ‘Mas quando tu compra a passagem, tu já compra incluindo o taxi’. Eu falava que mal podia comprar a passagem, quanto mais pagar o dinheiro do taxi. E foi assim por três anos, de novembro de 2008 até fevereiro de 2011, indo 2008 e 2009 toda semana e em 2010 três vezes por mês. Em 2011 comecei indo uma vez por mês, até cortar. Foi um período difícil, crítico. Outra coisa que me lembro, fiquei uma vez por três horas no telefone com a Varig, quando ela quebrou. Daí a Gol comprou a Varig nessa época e eu lembro que eu comprei umas 30 passagens, que custava R$ 49,00, dividindo em 15x no máximo que dava, que eram seis meses, porque era o período que eu poderia economizar com essa passagem. Ganhava lá para tapar o buraco daqui. Faturava 20% do que gastava na montagem da clínica… foi uma época bem difícil, pois tinha greves, apagão aéreo também, tinha vezes que já era para eu estar operando aqui em Recife às 08:00h e tava preso em Guarulhos às 10:00h. Às vezes era até engraçado, porque as meninas que trabalhavam lá na clínica, pois eu atendia em São Bernardo também, reclamavam porque pegavam um metrô, um ônibus… ai elas diziam: ‘eu demorei 2 horas para chegar aqui’. Aí uma outra dizia: ‘Besteira. Dr. Fábio demorou 5 horas para chegar aqui’. Aí me perguntavam: ‘Danosse, e o Senhor mora onde?’ E eu dizia que morava no Recife. ‘Mentira! E como ele está aqui desde Quinta-feira?’, aí respondia que fazia esse trecho toda semana, para o espanto delas.”

JOSÉ AÉCIO FERNANDES VIEIRA

Dr. Fábio Casanova é um amigo de vários anos que, além de um grande profissional da oftalmologia, tem também ser elevado um talentoso empreendedor. Conheci Fábio quando estava desenvolvendo a ideia de criar um serviço de oftalmologia no Hospital Memorial São José, que mesmo independente, estivesse ligado a um grande Hospital Geral. O mesmo estava querendo retornar às suas origens pernambucanas, onde seu pai também é médico oftalmologista, Dr. Rui Casanova. Após vários anos entre São Paulo e no exterior, em diversos estágios na especialidade, o Dr. Fábio me procurou para discutir o projeto e de logo criamos a marca Memorial OFTALMO.

Participei de todas as etapas, inclusive na formação da sociedade comanda da por ele e os seus escolhidos na época. Desde então o Dr. Fábio desenvolve um trabalho diferenciado na especialidade da oftalmologia, com repercussão em toda a região. Me incluo neste testemunho por ter sido um entre poucos que participou deste projeto no seu início, e que vem acompanhando seu sucesso desde então, com satisfação.

RENATO NEVES

Eu e o Fabinho tivemos bases parecidas, com uma família estruturada, com valores, pais médicos e uma educação privilegiada na Escola Paulista de Medicina e na Harvard Medical School. Desde o início, as pacientes de catarata, que não enxergavam muito bem, perguntavam se ele era meu filho, e as que eu acabava de operar, se ele era meu irmão mais novo. O que eu sei é que nesse tempo todo, alternamos quem era o irmão mais velho, com conselhos e uma união que nos faz encontrar no Recife, em São Paulo ou em qualquer lugar do mundo, onde viajamos para congressos, sempre próximos com uma ligação, um e-mail ou uma brincadeira no WhatsApp.

O que sei é que temos os mesmos sonhos, dificuldades, dúvidas e certezas. Isso nos aproxima e nos conforta.

Que Deus abençoe você para que possa continuar com excelência essa arte que é a Oftalmologia, e a sua família que tenha sempre você como exemplo, além de saúde, felicidade e paz para todos!

CEZAR CASANOVA

Fabinho é um workaholic que sabe curtir a vida. E sempre foi assim. Desde a época de estudante, sentava no fundão e tirava as melhores notas. Hoje, referência nacional em sua área, trabalha com o mesmo prazer de um iniciante, e mesma competência de um veterano. No caso dele, a teimosia é uma virtude, e foi por ser teimoso que conseguiu transformar seu sonho em realidade, construindo uma história de vida que serve de modelo para os que almejam sucesso.

Parabéns, brother!

CEZAR CASANOVA

Como falar de um filho que só me deu alegria e orgulho? Desde muito cedo se destacava em tudo que fazia, principalmente nos estudos, disputando sempre os primeiros lugares em todo seu curriculum escolar.

Na sua vida acadêmica, continuou desafiando e vencendo todos os obstáculos. Sempre soube conciliar estudo com diversão, gostava muito de “pagodear” e ter duas namoradas ao mesmo tempo… [risos] Não sei se por ter um sobrenome de conquistador…

Extrovertido e muito querido dos amigos que o cercavam, até hoje faz questão de reencontrá-los em suas festas de aniversário.

Voltando à sua vida acadêmica, queria sempre o melhor. Conquistou uma vaga na mais disputada escola sulamericana (Escola Paulista de Medicina) aonde fez residência médica, tendo sido eleito o melhor residente. A sua mãe sempre com saudade, pedia para ele voltar, dizendo que já sabia de tudo, mas ele queria mais.

Eu sempre o apoiei em todas as suas decisões para conquistas futuras. Ele sempre dizia: ”Eu não quero ser mais um”.

Seu próximo passo era desafiador: “Eu quero ser pós-graduado na melhor escola do mundo”. E lá foi para Harvard.

Voltando para o Brasil, São Paulo o segurou e começou a ganhar dinheiro, e pela sua grande habilidade cirúrgica, foi se destacando como um grande cirurgião. Valendose dessa qualidade, foi convidado a trabalhar em vários serviços, aonde encontrou em um deles o seu grande orientador, Dr. Renato Neves, que o encorajou a ir mais longe. Sabendo de seu potencial, abrimos um consultório na Rua da Hora, no qual a cada 15 dias atendia seus pacientes e voltava para SP.

Foi quando em conversa com o já falecido Dr. Walter Kirzner, dizendo da vontade de voltar pro Recife, e sabedor que o Memorial São José não dispunha de um serviço oftalmológico, e que o mesmo era amigo de Dr. José Aécio, se prontificou a nos apresentar ao mesmo. Formamos uma sociedade composta por mim, Fábio, Cezar, seu irmão, e Renato Neves, e dai para frente foi só colher os frutos plantados.

Parabéns, meu filho. Te amo muito

TÊTE-À-TÊTE

Livro de cabeceira: Sonho Grande
Música: Viva La Vida (ColdPlay)
Hobby: Viajar com a família
Time: Sport
Prato: Filé alto com um bom macarrão, molho branco ou de queijo
Bebida: Vinho, Nohemia foi o primeiro grande vinho que tomei. Marcou muito por isso. Faz uns 6-7 anos. De lá pra cá tomei vinhos melhores. Citaria ou Sassicaia, o Opus One, o Gaja Barbaresco e o Felipe Rutini. Dentre os melhores, eles são top.
Cidade: Recife
Viagem Inesquecível: Boston
Um sonho Realizado: Conquista profissional
Um não realizado: Ainda estou atrás dele
Brasil: Incrível
Medicina: Orgulho
Oftalmologia: Parte da minha vida
Tecnologia: Muito importante
Sucesso: Fundamental
Sociedade: Importante vivermos em sociedade
Amor: Família
Família: Amor
Um conselho para um estudante de medicina: Não desista nunca
Frase: A vida é uma só êôeô? (risos) Tentar, Tentar, até conseguir
Paradigma: Especial
Defina Fábio Casanova por Fábio Casanova: Um cara que não desiste, busca o que quer, sem passar por cima de ninguém, e tenta melhorar sempre, fazer sempre o meu melhor, pode até não ser o melhor que alguém espere, mas com certeza vai ser o melhor que posso fazer.